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Morre Haroldo Costa, intelectual e jornalista, aos 95 anos

Artista multifacetado foi referência do samba, do carnaval e da cultura afro-brasileira.

14 de Dezembro de 2025
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Artista de múltiplas facetas, o jornalista Haroldo Costa morreu no último sábado (13), aos 95 anos, no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela família por meio do perfil oficial do comunicador nas redes sociais.

Jornalista, ator, compositor, produtor e diretor de rádio e televisão, Haroldo Costa ficou nacionalmente conhecido como comentarista dos desfiles das escolas de samba no carnaval. Nos últimos anos, integrava o corpo de jurados do prêmio Estandarte de Ouro, do jornal O Globo, e anteriormente atuou como jurado da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), destacando-se como pesquisador e defensor da cultura afro-brasileira.

Torcedor do Salgueiro, escola que declarou luto pela morte do artista, Haroldo também foi homenageado pela Estação Primeira de Mangueira, que o definiu como uma "figura única no carnaval".

Sua trajetória teve início no Teatro Experimental do Negro (TEN), fundado por Abdias do Nascimento. Posteriormente, integrou o grupo Brasiliana, que durante cinco anos levou a cultura popular brasileira a 25 países da Europa e das Américas. Essa experiência foi destaque da exposição Haroldo Costa – Samba & Outras Coisas, realizada pelo Sesi em 2011.

Após o falecimento, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro divulgou nota ressaltando a importância do artista e comunicador negro. "Um gênio da arte e um ser humano maravilhoso, com quem convivemos em inúmeros projetos e a quem tivemos o prazer e a honra de homenagear com uma exposição que celebrou toda a sua rica história".

Como ator, Haroldo Costa protagonizou Ofeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, marcando a parceria inicial do poeta com Antonio Carlos Jobim. O trabalho fez dele o primeiro ator negro a atuar no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em espetáculo com cenários de Oscar Niemeyer e cartaz de Carlos Scliar.

A partir da década de 1960, passou a atuar intensamente no rádio e na televisão, com passagens pela Rádio MEC, Mayrink Veiga e emissoras de TV. Entre seus trabalhos estão os programas Balcão Nobre, Estampas Brasileiras e Mosaico Panamericano.

Como historiador, publicou 15 livros, incluindo Academia do Samba (1984) e Salgueiro: 50 anos de Glória (2003), obras de referência sobre escolas de samba, além de Fala, crioulo - O que é ser negro no Brasil.

Diversas autoridades e personalidades lamentaram a morte do intelectual. A deputada Benedita da Silva afirmou que Haroldo era referência do samba e da intelectualidade negra. "Sua obra, sua voz e sua luta permanecem vivas entre nós".

O jornalista Rubem Confete destacou o legado cultural deixado pelo artista, enquanto a historiadora Lilia Schwarcz o definiu como figura central da intelectualidade brasileira. O escritor Nei Lopes lembrou que Haroldo foi o primeiro negro a dirigir um longa-metragem no Brasil, em 1958. "A morada eterna dos negros elegantes, amigos insubstituíveis ganhou mais um membro do primeiro time".

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou que Haroldo Costa foi "guardião do samba e do carnaval", enquanto o governador Cláudio Castro o chamou de mestre que ajudou gerações a compreender a identidade cultural do país.

A família ainda não divulgou informações sobre velório e sepultamento.

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