Terça-Feira, (15 de Setembro de 2026)
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Morre aos 81 anos a ativista e feminista Amelinha Teles

Militante contra a ditadura, ela também teve atuação na implementação da Lei Maria da Penha

Por: Portal Amz em Pauta
15 de Setembro de 2026
Foto: Layane Santos / Elas Fotografando

A ativista política e feminista Amelinha Teles morreu nesta terça-feira (15), aos 81 anos. Presa durante a ditadura militar, ela foi vítima de tortura e construiu uma trajetória ligada à defesa dos direitos humanos, das mulheres e da democracia no Brasil.

Amelinha foi presa em 28 de dezembro de 1972 e levada para a Operação Bandeirantes (Oban), em São Paulo. Segundo o projeto Memórias da Ditadura, ela foi torturada pelo então major do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. O marido, César Augusto Teles, e o companheiro de militância Carlos Nicolau Danielli também foram levados ao órgão de repressão. Amelinha testemunhou o assassinato de Danielli.

Os filhos dela, Edson e Janaína, que tinham 4 e 5 anos na época, também foram levados à Oban e presenciaram os pais sendo torturados. Depois da ditadura, Amelinha manteve atuação pela preservação da memória e pela responsabilização por violações cometidas durante o regime.

Na década de 1970, participou do Jornal Brasil Mulher. Como advogada e formadora de Promotoras Legais Populares, também teve participação na efetivação da Lei Maria da Penha e em iniciativas voltadas à defesa dos direitos das mulheres.

Amelinha ainda participou de pesquisas sobre a responsabilidade de empresas em violações de direitos durante a ditadura. Em entrevista ao podcast “Perdas e Danos”, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ela defendeu a necessidade de enfrentar a memória do período. "Nós temos que enfrentar o passado, sim, porque o presente está sendo ameaçado o tempo todo com os fantasmas do passado. Não adianta, não tem que virar a página, não dá para virar a página. A página tem que ser lida e compreendida, depois é que você vira, entendeu?".

A Rede de Desenvolvimento Humano prestou homenagem à ativista nas redes sociais. “Hoje perdemos nossa companheira Amelinha Teles, mas a história da luta das mulheres brasileiras perde muito mais do que uma militante: perde uma mulher que fez da coragem, da memória e da resistência uma forma de vida.”

A entidade também afirmou que o legado de Amelinha permanecerá ligado às lutas que ajudou a construir e às pessoas que inspirou ao longo da trajetória. Até o momento, não foram informados detalhes sobre velório e sepultamento.

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