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Miss México reage a diretor e provoca debate global sobre empoderamento feminino

Discussão durante evento na Tailândia gera críticas e pedidos de respeito às mulheres

08 de Novembro de 2025
Foto: Divulgação

Um vídeo mostrando a candidata mexicana ao Miss Universo, Fatima Bosch, sendo repreendida publicamente por um diretor do concurso na Tailândia, provocou repercussão mundial e levantou discussões sobre machismo e empoderamento feminino em eventos internacionais de beleza. O episódio ocorreu durante uma reunião prévia ao 74º concurso, que será realizado em Bangkok no final deste mês.

Nawat Itsaragrisil, presidente do Miss Grand International, foi visto acusando Bosch de não divulgar conteúdos promocionais sobre a Tailândia, país-sede do evento. Em meio à reunião, transmitida ao vivo, ele afirmou que a candidata estaria seguindo ordens da diretora do concurso mexicano para sabotar atividades oficiais, chamando-a de “cabeça oca”. Ao reagir aos insultos, Bosch foi interrompida e expulsa da sala por seguranças, o que gerou indignação entre outras participantes, que se retiraram em solidariedade.

A atitude de Nawat foi amplamente condenada nas redes sociais e por autoridades mexicanas. A presidente Claudia Sheinbaum declarou que Bosch reagiu “com dignidade”, destacando a importância de as mulheres não se calarem diante de abusos. “As mulheres ficam mais bonitas quando levantam suas vozes e participam. Isso tem a ver com o reconhecimento dos nossos direitos”, afirmou durante uma coletiva.

Bosch, de 25 anos, coroada Miss Universo México neste ano, afirmou que o episódio foi resultado de um desentendimento entre Nawat e a Organização Miss Universo, presidida pelo mexicano Raúl Rocha. “Ele simplesmente me disse ‘cale a boca’. Acho que o mundo precisa ver isso, porque somos mulheres empoderadas e ninguém pode calar a nossa voz”, declarou em vídeo publicado no TikTok. Rocha também condenou o ocorrido, chamando a ação de “abuso” e restringindo a participação do empresário tailandês nos próximos eventos oficiais.

Após a repercussão negativa, Nawat pediu desculpas públicas durante uma cerimônia transmitida ao vivo, dizendo não ter tido intenção de ofender. “Tenho que dizer que sinto muito”, afirmou diante das participantes, incluindo Bosch, que manteve uma postura serena durante o pedido de desculpas. Ainda assim, as críticas continuaram, com internautas e ativistas pedindo maior respeito às mulheres dentro da indústria de concursos de beleza.

Para a ativista e jornalista colombiana Catalina Ruiz Navarro, o episódio escancara a contradição entre o discurso de empoderamento e as práticas internas dessas competições. “O Miss Universo sempre disciplinou o corpo feminino para se adequar a um ideal patriarcal. A reação de Bosch foi corajosa, porque ela tinha muito a perder”, afirmou. Ela destacou que o apoio coletivo de outras concorrentes marca um gesto de resistência raro nesses ambientes.

Sheynnis Palacios, Miss Universo 2023 e representante da Nicarágua, também se manifestou, afirmando que “uma coroa não deve custar a dignidade de uma mulher”. Já a venezuelana Alicia Machado, vencedora de 1996, declarou que casos de humilhação e controle ainda persistem e defendeu que os concursos sejam usados como plataformas de igualdade e respeito. A atual edição do Miss Universo reúne candidatas de 130 países e será concluída em 21 de novembro, em Bangkok, com a coroação da nova vencedora.

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