Quinta-Feira, (17 de Setembro de 2026)
Amazonas

Ministério anuncia nova base em Manaus para enfrentar seca na Bacia Amazônica

Estrutura da Força Nacional do SUS permitirá envio de equipes, medicamentos e unidades móveis a áreas afetadas pela estiagem em até 12 horas.

Por: Portal Amz em Pauta
17 de Setembro de 2026
Foto: Divulgação

O Ministério da Saúde anunciou a implantação de uma base regional da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) em Manaus para reforçar a resposta aos impactos da seca nos rios da Bacia Amazônica. A medida foi detalhada na última quarta-feira (16) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante uma coletiva online com jornalistas de diferentes regiões do país.

A estrutura no Amazonas fará parte da estratégia de descentralização do atendimento em situações de emergência. A proposta é permitir que equipes, unidades móveis e modulares, medicamentos e equipamentos para purificação de água sejam enviados às áreas atingidas em um prazo de até 12 horas, principalmente para localidades isoladas pela redução do nível dos rios.

Além da nova base, o governo federal informou que 273 Unidades Básicas de Saúde (UBS) adaptadas para enfrentar eventos climáticos extremos foram construídas ou entregues no Amazonas e em outros estados da região Norte. As unidades contam com recursos como painéis de energia solar, geradores e sistemas de reserva de água capazes de garantir autonomia por até 72 horas.

A ampliação da estrutura ocorre diante das projeções climáticas para a Amazônia. Modelos utilizados pelo governo indicam que o El Niño, atualmente classificado como forte, pode atingir a categoria de “muito forte” a partir de setembro. A redução dos níveis dos rios dificulta o deslocamento e compromete o acesso aos serviços de saúde, principalmente entre comunidades ribeirinhas e indígenas. “É urgente avançar na adaptação climática porque as mudanças do clima estão afetando a saúde e levando pessoas à morte. A preparação é baseada na ciência e respeita os princípios do SUS”, afirmou Alexandre Padilha.

Para reduzir os impactos do isolamento provocado pela estiagem, a frota de Unidades Básicas de Saúde Fluviais cresceu 24,6% e passou a contar com 71 embarcações. Entre 2023 e 2026, o número de profissionais de saúde atuando na região Norte também aumentou 24,9%, passando de 261 para 326. Segundo o Ministério da Saúde, atualmente 95% da população da região está vinculada às equipes de Saúde da Família e Saúde da Família Ribeirinha.

Entre os principais problemas de saúde associados à estiagem prolongada estão a desnutrição, a insegurança hídrica, o aumento de casos de dengue e doenças cardiorrespiratórias relacionadas à fumaça das queimadas. Para orientar os gestores, os Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), instalados em Belém e Santarém, no Pará, fazem o levantamento de áreas de resfriamento, pontos de hidratação e protocolos específicos de atendimento.

O atendimento às áreas mais vulneráveis, incluindo territórios indígenas, também recebeu reforço com a implantação de 587 soluções para acesso à água potável e a destinação de 377 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O planejamento das ações conta ainda com informações produzidas pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e pela Defesa Civil.

A instalação da base em Manaus integra o plano AdaptaSUS, apresentado durante a COP30, que reúne 27 metas e 93 ações e prevê investimentos de R$ 9,8 bilhões até 2035. Atualmente, a FN-SUS mantém bases regionais no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia. Em 2026, foram contabilizadas 11 missões em oito estados, com 4.899 atendimentos, a maioria relacionada a desastres naturais. Em todo o país, o governo registra ainda mais de 2,2 mil UBS consideradas resilientes e 20,8 mil cisternas vinculadas a programas habitacionais e de infraestrutura.

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