Revisão de 62 estudos relaciona partículas de plástico a inflamações, deformidades e maior risco de fraturas.
A presença de microplásticos, minúsculas partículas que se desprendem de objetos de uso cotidiano, pode afetar diretamente a saúde óssea humana. A constatação é de um estudo apoiado pela Fapesp e publicado na revista Osteoporosis International, que revisou 62 artigos científicos sobre o tema.
Segundo os pesquisadores, essas partículas, já encontradas no sangue, na placenta e até no leite materno, também alcançam a medula óssea, onde podem provocar inflamações, acelerar o envelhecimento celular e comprometer a resistência dos ossos.
Rodrigo Bueno de Oliveira, coordenador do Laboratório para o Estudo Mineral e Ósseo em Nefrologia (Lemon) da FCM-Unicamp, explica que “o microplástico prejudica a viabilidade celular, acelera o envelhecimento das células e altera a diferenciação celular, além de promover inflamação”. O pesquisador acrescenta que estudos com animais apontam interrupção do crescimento esquelético e deformidades, com risco de fraturas patológicas.
O estudo alerta que partículas microscópicas de plástico, liberadas por cortinas, roupas e embalagens, podem ser inaladas, ingeridas ou absorvidas pela pele. No organismo, essas partículas favorecem a formação de osteoclastos, células que reabsorvem o tecido ósseo, enfraquecendo a estrutura e podendo levar a displasia.
Para aprofundar as evidências, a equipe da Unicamp inicia um projeto experimental que avaliará a resistência do fêmur de roedores expostos a microplásticos, em busca de dados concretos sobre a relação entre essas partículas e doenças osteometabólicas. A pesquisa surge em um contexto preocupante: a International Osteoporosis Foundation estima aumento de 32% nas fraturas por osteoporose até 2050, impulsionado pelo envelhecimento populacional.
Oliveira ressalta que práticas conhecidas, como exercícios físicos, alimentação equilibrada e tratamento farmacológico, seguem fundamentais para reduzir o risco de fraturas. No entanto, ele defende que os microplásticos podem ser uma causa ambiental controlável, a ser considerada na prevenção de doenças ósseas.