Segundo os cientistas, trata-se de uma das primeiras evidências em larga escala ligando a poluição por microplásticos na água ao surgimento de doenças metabólicas e cardiovasculares.
Microplásticos — partículas microscópicas derivadas de resíduos plásticos — já foram encontrados em quase todos os órgãos humanos. Agora, um novo estudo aponta uma possível ligação direta entre a exposição a essas substâncias e o aumento de doenças crônicas, incluindo a diabetes tipo 2.
A pesquisa analisou 152 regiões costeiras dos Estados Unidos e descobriu que os moradores de áreas com alta contaminação por microplásticos apresentavam 18% mais prevalência de diabetes tipo 2, além de 7% mais casos de aterosclerose e 9% mais incidência de derrames.
Segundo os cientistas, trata-se de uma das primeiras evidências em larga escala ligando a poluição por microplásticos na água ao surgimento de doenças metabólicas e cardiovasculares. Os dados reforçam preocupações anteriores sobre os riscos silenciosos desses contaminantes, que já foram detectados na água potável, em peixes e até mesmo na brisa do mar.
Microplásticos são fragmentos de materiais plásticos com menos de 5 milímetros de diâmetro. Eles podem ser primários (produzidos para uso direto, como em cosméticos, tecidos sintéticos ou redes de pesca) ou secundários, originados da degradação de plásticos maiores, como sacolas e garrafas PET.
Por serem extremamente resistentes à degradação, essas partículas podem levar séculos para desaparecer do ambiente. Já foram localizadas em órgãos humanos como pulmões, cérebro, coração, placenta, intestinos e até mesmo na corrente sanguínea.
O estudo reforça a necessidade de ampliar as políticas públicas voltadas ao controle do uso de plásticos e à descontaminação das fontes de água — especialmente porque os efeitos dessas partículas sobre o corpo humano ainda são pouco compreendidos, mas cada vez mais alarmantes.