Exportações ganham força em meio a tarifas impostas por Trump e missão de Alckmin busca ampliar mercado.
O México assumiu em agosto a posição de segundo maior comprador da carne bovina do Brasil, superando os Estados Unidos, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (27) pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A China permanece na liderança isolada das importações do produto.
A mudança ocorre em um momento de tensões comerciais com Washington. Desde que o governo Donald Trump elevou as tarifas, a carne bovina brasileira — que já enfrentava uma taxa de 26,4% fora de uma cota isenta — passou a ser taxada em mais 50%. A medida reduziu a competitividade do produto no mercado norte-americano.
De janeiro a julho deste ano, o Brasil exportou 67,6 mil toneladas de carne bovina ao México, movimentando US$ 365 milhões. O volume representa quase o triplo do registrado no mesmo período de 2024 e mais de dez vezes o que foi enviado em 2023. Até julho, o México ocupava a quarta posição entre os principais destinos da proteína brasileira, atrás de China, EUA e Chile.
A conjuntura coincide com a missão oficial liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin ao México, iniciada nesta quarta-feira, com o objetivo de ampliar mercados e reduzir os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Entre as prioridades da Abiec no país estão a negociação de um tratado de livre comércio, que aumente a previsibilidade e competitividade das exportações brasileiras, e a renovação por mais dois anos do chamado Pacote Contra a Inflação e a Carestia (Pacic), considerado essencial para garantir a isenção tarifária de insumos básicos no mercado mexicano.