Mundo

Meta bloqueia mais de meio milhão de contas após lei inédita australiana

Aplicação de norma que proíbe redes sociais para menores de 16 anos gera reação global.

12 de Janeiro de 2026
Foto: Getty images

A Meta, empresa responsável por plataformas como Instagram e Facebook, bloqueou cerca de 550 mil contas de jovens na Austrália entre os dias 4 e 11 de dezembro do ano passado, nos primeiros dias de vigência da nova legislação nacional. A ação é considerada um dos maiores movimentos de restrição digital já registrados.

Segundo dados divulgados pela própria empresa, foram bloqueadas 330.639 contas no Instagram, 173.497 no Facebook e 39.916 no Threads, apenas na primeira semana de cumprimento da lei. Em 10 de dezembro de 2025, a Austrália tornou-se o primeiro país do mundo a aplicar uma proibição abrangente de acesso às redes sociais por menores de 16 anos.

A legislação determina que plataformas como Instagram, Facebook, TikTok e YouTube removam ou impeçam a criação de contas por usuários abaixo dessa idade. O objetivo é proteger o bem-estar de crianças e adolescentes diante de conteúdos e algoritmos considerados prejudiciais.

O governo australiano e diversos ativistas defendem a medida como uma resposta necessária aos impactos negativos das redes sociais sobre a saúde mental dos jovens. A política tem sido acompanhada atentamente por governos e reguladores de vários países, não apenas pela idade mínima elevada, mas também por não prever qualquer exceção baseada em autorização parental, o que a torna uma das leis mais rigorosas do mundo.

Apesar de reconhecerem a importância de ampliar a segurança online, empresas de tecnologia têm criticado a abordagem adotada. Segundo a BBC, a Meta pediu ao governo australiano um diálogo mais construtivo com o setor, defendendo alternativas às “proibições generalizadas”, como padrões mais elevados “de experiências online seguras, que preservem a privacidade e sejam adequadas à idade, em vez de proibições generalizadas”.

A empresa também reiterou que a verificação da idade deveria ser responsabilidade das lojas de aplicativos, argumentando que isso reduziria o peso regulatório sobre as plataformas e garantiria maior uniformidade nas proteções. “Esta é a única forma de garantir proteções consistentes em toda a indústria para os jovens, independentemente dos aplicativos que utilizam, e evitar o efeito de tentar acompanhar as novas aplicações para as quais os adolescentes vão migrar a fim de contornar a lei de proibição das redes sociais”, disse a Meta.

A legislação conta com forte apoio popular, especialmente entre pais, e é bem avaliada por líderes políticos internacionais. Nos Estados Unidos e na União Europeia, surgem iniciativas para limitar o uso das redes sociais por crianças, embora nenhuma com o mesmo nível de restrição. Na própria Austrália, partidos conservadores já prometeram manter ou até reforçar a política caso vençam eleições previstas para antes de 2029.

Ainda assim, a medida não é consensual. Especialistas alertam que a proibição pode ser contornada por meio da falsificação de idade nos sistemas de verificação ou ao levar jovens a buscarem espaços alternativos na internet, potencialmente menos seguros.

Também há críticas de que a lei pode aumentar o isolamento de crianças e adolescentes, especialmente de comunidades LGBTQ+, jovens neurodivergentes ou moradores de áreas rurais, para quem as redes sociais funcionam como importantes canais de conexão e apoio. As empresas que descumprirem a legislação estão sujeitas a multas de até 49,5 milhões de dólares australianos, de acordo com a Deutsche Welle.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.