Petróleo subiu mais de 5% após ataques dos EUA contra alvos iranianos e resposta do Irã contra bases americanas no Bahrein e no Kuwait
Os mercados financeiros ao redor do mundo operaram em queda nesta quarta-feira (8), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o acordo preliminar de paz com o Irã “acabou”. A declaração reacendeu temores de uma nova escalada militar no Oriente Médio e provocou forte reação nos preços do petróleo, nas bolsas globais e no câmbio.
A tensão aumentou depois de uma nova troca de ataques entre os dois países. Os Estados Unidos bombardearam alvos no Irã após acusarem Teerã de ataques contra navios petroleiros no Estreito de Ormuz. Em resposta, o Irã lançou ofensivas contra bases militares americanas no Bahrein e no Kuwait, países que abrigam instalações estratégicas das Forças Armadas dos EUA.
A instabilidade elevou a busca por ativos considerados mais seguros e aumentou a preocupação com possíveis impactos sobre o fornecimento global de petróleo. O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas para o transporte da commodity, e qualquer interrupção na região tende a pressionar os preços internacionais.
Os contratos do petróleo Brent, referência internacional, avançaram mais de 5% nesta manhã, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, também registrou forte alta. O movimento refletiu o temor de que novos confrontos prejudiquem a produção e o transporte de petróleo no Golfo Pérsico.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros de Wall Street recuaram antes da abertura dos mercados. O movimento foi puxado pelo receio de que a alta do petróleo aumente a pressão inflacionária e dificulte eventuais cortes de juros pelo Federal Reserve, o banco central americano.
O dólar também ganhou força diante da maior aversão ao risco. Em momentos de tensão geopolítica, investidores costumam buscar moedas e ativos considerados mais seguros, o que favorece a valorização da moeda americana frente a outras divisas.
As bolsas europeias também registraram perdas generalizadas, acompanhando a piora do cenário internacional. Empresas dos setores de consumo, turismo e tecnologia ficaram entre as mais pressionadas, enquanto ações de petroleiras avançaram impulsionadas pela alta do petróleo.
Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única. Parte das bolsas recuou diante do aumento da tensão global, enquanto Hong Kong teve desempenho positivo, impulsionado por ações de tecnologia. O comportamento misto refletiu a combinação entre risco geopolítico, alta do petróleo e fatores locais nos mercados asiáticos.
Durante coletiva em Ancara, na Turquia, antes de uma cúpula da Otan, Trump disse que não pretende mais negociar com o Irã. O acordo preliminar havia sido firmado em junho e previa uma janela para negociações em busca de uma solução mais duradoura para o conflito.
Com a declaração do presidente americano e a nova troca de ataques, investidores passaram a considerar maior risco de prolongamento da crise. A escalada no Oriente Médio aumenta a pressão sobre os mercados globais e amplia as incertezas sobre inflação, juros e abastecimento de energia.