Investigação da Polícia Federal apura possível exploração sexual e tráfico internacional de pessoas; conversas reveladas pelo UOL apontam participação do banqueiro na seleção de mulheres e organização de festas privadas.
Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam sua suposta participação em uma rede internacional de prostituição que recrutava mulheres brasileiras e estrangeiras, incluindo refugiadas da guerra na Ucrânia. As informações foram divulgadas pelo UOL na terça-feira (13) e apontam que o empresário teria financiado e participado da organização de encontros privados com amigos e autoridades, realizados no Brasil e no exterior. O caso é investigado pela Polícia Federal, que apura possíveis crimes de exploração sexual e tráfico internacional de pessoas.
Segundo a reportagem, as conversas mostram que Vorcaro não se limitava ao financiamento dos eventos. O banqueiro também teria participado diretamente da escolha das mulheres, da negociação de pagamentos e da definição de quem permaneceria no grupo. Entre os principais envolvidos aparecem Diogo Batista, promotor de eventos em São Paulo, e Leonardo Serrano, empresário responsável por parte da organização de viagens e festas internacionais.
Um dos episódios mais delicados envolve uma jovem ucraniana de 19 anos, refugiada da guerra, que teria sido recrutada em outubro de 2023. As mensagens indicam que outras mulheres na mesma condição também participaram dos encontros. Em uma das conversas, Diogo sugeriu incluir as estrangeiras em uma agência de modelos e escreveu: “Bora colocar elas na agência e daí lavamos as mãos”. Segundo os diálogos, algumas dessas mulheres enfrentavam dificuldades para retornar aos países de origem.
A investigação também identificou negociações envolvendo a Allure Eventos, empresa que teria sido utilizada para organizar o recrutamento. Em dezembro de 2023, Vorcaro recebeu um contrato que previa a aquisição de 50% da agência por R$ 1,5 milhão. Entretanto, Felipe Nisti Cataldo, proprietário da empresa, contestou a versão apresentada nas mensagens e afirmou ao UOL que a negociação não avançou nos termos descritos.
Os encontros teriam ocorrido em cidades como São Paulo, Londres, Paris, Roma e Dubai, envolvendo dezenas de mulheres. Em uma festa realizada em outubro de 2023, na capital paulista, as conversas chegaram a mencionar mais de 120 participantes. A estrutura incluía passagens aéreas, hospedagens de luxo e pagamentos intermediados por empresas ligadas à organização dos eventos.
De acordo com o UOL, foram identificadas 21 faturas emitidas entre abril de 2024 e março de 2025 pela empresa SL Consulting, que somavam aproximadamente US$ 70 milhões. Os documentos incluíam despesas descritas como serviços de hospitalidade, hospedagem, eventos e fretamentos. O valor total das faturas, porém, não corresponde necessariamente a gastos com prostituição, e a destinação dos recursos ainda precisa ser esclarecida.
A Polícia Federal abriu um inquérito em maio de 2026 para investigar possíveis irregularidades relacionadas ao recrutamento e à contratação das mulheres. No Brasil, a prostituição exercida voluntariamente por adultos não é crime, mas a exploração sexual e determinadas formas de favorecimento da prostituição podem configurar infrações penais. A suspeita de tráfico internacional de pessoas também depende da comprovação dos requisitos previstos na legislação.
Inicialmente, a defesa de Vorcaro informou que não comentaria as revelações. Posteriormente, ainda na terça-feira (13), o banqueiro divulgou uma nota negando envolvimento com uma rede de prostituição, afirmando que jamais explorou mulheres e questionando a obtenção e a divulgação das mensagens.
O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) solicitou a apuração das suspeitas e a identificação de possíveis vítimas. As investigações deverão esclarecer as condições de recrutamento, os pagamentos realizados e a eventual ocorrência de exploração sexual ou tráfico de pessoas. Até o momento, as mensagens divulgadas não representam, por si só, comprovação definitiva dos crimes investigados.
Com informações do Uol*