Ministro do STF passa a conduzir inquérito sobre o banco enquanto já relata investigação das fraudes no INSS
Relator do inquérito que apura um esquema de fraudes no INSS, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, foi sorteado para assumir também a relatoria do caso envolvendo o Banco Master, após a saída de Dias Toffoli. A coincidência das duas investigações , que envolvem suspeitas de irregularidades no sistema financeiro e na concessão de crédito consignado do INSS , elevou a tensão entre lideranças partidárias no Congresso.
Os dois casos se comunicam porque há indícios de fraudes atribuídas ao banco tanto em operações financeiras quanto em contratos ligados ao INSS. Antes de deixar o caso, Toffoli havia retirado da CPMI documentos sigilosos relacionados ao empresário Daniel Vorcaro e ao banco, encaminhando o material ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Agora, integrantes da comissão aguardam uma decisão de Mendonça sobre a eventual devolução dos documentos ao colegiado.
No inquérito sobre o INSS, Mendonça tem adotado postura considerada técnica e favorável ao avanço das investigações. A expectativa no Congresso é que o mesmo padrão seja mantido no caso do Banco Master, especialmente diante da possibilidade de surgirem nomes de autoridades com foro privilegiado nas apurações conduzidas pela Polícia Federal.
Entre os próximos passos, o ministro deverá decidir se as investigações permanecem no STF ou se serão remetidas à Justiça Federal. Ele também deve analisar relatório da Polícia Federal com menções a autoridades que teriam mantido contato com Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. Esse documento é visto com preocupação por integrantes do Centrão, diante do risco de implicações políticas.
Líderes partidários também recordam que Davi Alcolumbre indicou nomes para o comando do fundo de pensão do Amapá, investigado por comprar títulos do Banco Master. Nos bastidores, aliados de Mendonça lembram que o senador segurou por cinco meses sua sabatina no Senado, período em que o ministro enfrentou forte pressão antes de ter o nome aprovado para o STF.