Ao menos 151 espécies de grandes mamíferos desapareceram, sendo que os herbívoros de grande porte foram os mais afetados.
Durante dezenas de milhares de anos, o planeta foi lar de criaturas impressionantes: mamutes, bichos-preguiças gigantes, diprotodontes e outros grandes herbívoros dominavam a paisagem. Mas esse cenário mudou drasticamente há cerca de 50 mil anos, quando teve início um processo de extinção em massa da chamada megafauna, que ainda hoje intriga a ciência.
Ao longo desse período, ao menos 151 espécies de grandes mamíferos desapareceram, sendo que os herbívoros de grande porte foram os mais afetados: de 57 espécies existentes naquela época, apenas 11 sobrevivem atualmente.
Por décadas, especialistas discutiram se essas extinções foram causadas principalmente pelas mudanças climáticas, que encerraram a última era glacial, ou pela ação humana. Agora, um amplo estudo da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, joga luz sobre o debate: a caça realizada por humanos teve um papel mais significativo do que o clima no desaparecimento desses animais.
A pesquisa analisou 300 estudos anteriores e concluiu que, embora o aquecimento global do período tenha contribuído para a extinção da megafauna, o impacto humano foi determinante. Evidências arqueológicas, como armadilhas construídas para capturar animais gigantes, bem como resíduos de proteínas em pontas de lanças e isótopos encontrados em ossos humanos antigos, indicam que a caça aos grandes mamíferos era uma prática comum e disseminada.
Além disso, as próprias características biológicas da megafauna tornavam esses animais extremamente vulneráveis à exploração. Com longos períodos de gestação, poucas crias e maturação sexual tardia, suas populações não conseguiam se recuperar com a mesma rapidez com que eram abatidas.