Ministra do Meio Ambiente defende execução dos compromissos climáticos já firmados e alerta para riscos da crise global
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que a próxima Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro em Belém, deve marcar uma virada no debate ambiental. “Agora, só tem um caminho: implementar”, disse a ministra ao comentar as expectativas para o encontro.
A declaração foi feita durante o The Climate Reality Project, evento realizado no Rio de Janeiro e liderado pelo ex-presidente dos Estados Unidos e ativista ambiental Al Gore. Marina e Gore participaram juntos de um treinamento voltado à formação de novas lideranças climáticas.
Segundo a ministra, os compromissos assumidos nas últimas conferências já estabelecem um consenso, que agora precisa sair do papel. Ela citou como exemplo os acordos firmados em Dubai e no Azerbaijão, que preveem US$ 1,3 trilhão em financiamento climático, a meta de triplicar a capacidade de energias renováveis, dobrar a eficiência energética, reduzir a dependência de combustíveis fósseis, frear o desmatamento e viabilizar recursos para perdas e danos.
“O mundo chegou ao limiar de um processo debatido há 33 anos. Vivemos hoje uma crise civilizatória, em que líderes preferem guerrear entre si a declarar guerra contra uma ameaça planetária. São 500 mil vidas perdidas a cada ano, só em função de onda de calor. Em dois anos, as ondas de calor matam mais pessoas do que a covid-19”, alertou.
Para Marina, o sucesso das negociações climáticas dependerá de um planejamento eficaz para os próximos dez anos, capaz de garantir a efetividade das ações e limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. “Se o Acordo de Paris nos levou ao caminho das regras e da negociação, agora tem que nos levar para o mapa do caminho da implementação”, concluiu.