Monitoramento aponta concentração de partículas poluentes acima de 290 µg/m³ em bairros da capital nesta sexta-feira (9). Defesa Civil alerta para riscos à saúde.
Manaus amanheceu novamente encoberta por uma densa camada de fumaça nesta sexta-feira (9), com níveis críticos de poluição atmosférica em diferentes regiões da cidade. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrados por volta das 6h30, apontam qualidade do ar classificada como “péssima” em vários bairros. A situação é associada às queimadas no Amazonas e representa risco à saúde da população, principalmente de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Os índices mais preocupantes foram registrados na zona sul da capital. Na região do Educandos e Morro da Liberdade, a concentração de partículas finas PM2,5 chegou a 292,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Na área do Crespo e Distrito Industrial 1, o índice alcançou 289,4 µg/m³, enquanto Aparecida registrou 260,2 µg/m³. Os valores indicam uma elevada presença de poluentes capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório.
Outras regiões também apresentaram resultados preocupantes. Na Compensa, zona oeste, o monitoramento apontou 218 µg/m³, enquanto a região de Petrópolis e Praça 14 registrou 205,6 µg/m³. Bairros como Parque 10 de Novembro, Chapada e Aleixo permaneceram na classificação “muito ruim”. No município de Careiro da Várzea, na Região Metropolitana de Manaus, a concentração chegou a 302 µg/m³, um dos maiores índices identificados no levantamento da manhã.
A situação ocorre após dias consecutivos de fumaça na capital amazonense. Na quinta-feira (8), sensores do SELVA chegaram a registrar 490,1 µg/m³ de partículas finas em um dos pontos monitorados, o maior índice divulgado para Manaus em 2026. O resultado superou em 71% o pior registro anterior do ano, observado em setembro. As medições variam de acordo com a localização dos sensores e as condições atmosféricas ao longo do dia.
A presença da fumaça também está relacionada ao avanço das queimadas na região e ao incêndio de grandes proporções registrado em uma área de descarte de resíduos no Distrito Industrial 2, na zona leste de Manaus. O fogo começou na terça-feira (6) e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros durante vários dias. A ocorrência agravou as preocupações com a poluição atmosférica, enquanto focos de queimadas em municípios do interior continuam contribuindo para a presença de fumaça na capital.
Dados divulgados pelo Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM), com base no monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que o estado registrou 644 focos de calor entre os dias 1º e 7 de outubro de 2026. No mesmo período de 2025, foram identificados 277 focos, representando aumento de 132,5%. No acumulado do ano até 7 de outubro, o Amazonas contabilizou 6.901 registros, contra 3.559 no intervalo correspondente do ano anterior.
Diante do agravamento da qualidade do ar, a Defesa Civil emitiu um alerta severo para a população, com notificações encaminhadas aos celulares de moradores. A recomendação é evitar a exposição direta à fumaça, reduzir atividades ao ar livre e adotar medidas de proteção respiratória. A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) também alerta que a combinação de fumaça, calor e baixa umidade pode provocar irritação nos olhos, tosse, dificuldades respiratórias e agravamento de doenças pulmonares e cardiovasculares.
Entre as principais medidas de prevenção estão o uso de máscaras PFF2 ou N95 em situações de exposição, a ingestão frequente de água e a permanência em ambientes fechados sempre que possível. Crianças, gestantes, idosos e pessoas com asma, bronquite ou problemas cardíacos devem redobrar os cuidados. Em caso de falta de ar intensa ou agravamento dos sintomas, a orientação é procurar atendimento médico.
A população pode acompanhar os índices de poluição pelo aplicativo SELVA, que disponibiliza informações sobre a qualidade do ar em diferentes localidades do Amazonas. Enquanto as queimadas e as condições atmosféricas continuarem favorecendo a concentração de fumaça, o monitoramento permanece essencial para orientar os cuidados com a saúde e as ações dos órgãos ambientais.