Com cerca de 30 laboratórios e 41 pesquisadores, centro desenvolve pesquisas e soluções tecnológicas que valorizam os recursos naturais da região e incentivam a bioeconomia.
No ano em que Manaus completa 357 anos, o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) se destaca pelo trabalho de transformar a biodiversidade regional em oportunidades de inovação, desenvolvimento tecnológico e geração de negócios sustentáveis. Localizado na capital amazonense, o centro reúne pesquisadores e laboratórios dedicados ao aproveitamento responsável dos recursos naturais da Amazônia. Em visita ao espaço, a equipe do Amz em Pauta conheceu pesquisas e iniciativas que buscam aproximar a ciência do setor produtivo e fortalecer a economia regional.
Com uma estrutura de aproximadamente 13 mil metros quadrados, o CBA conta com cerca de 30 laboratórios e 41 pesquisadores distribuídos em cinco áreas de atuação. Segundo o diretor de operações, Caio Perecin, a equipe inclui 15 doutores, 15 mestres e profissionais técnicos que contribuem para o desenvolvimento das pesquisas. O espaço também reúne especialistas de outras regiões, que trabalham com os desafios de transformar o potencial da biodiversidade amazônica em produtos, negócios e geração de renda.
Entre as pesquisas desenvolvidas está a multiplicação de espécies vegetais em laboratório. A pesquisadora Patricia Sperb explicou que uma das iniciativas envolve o curauá, planta amazônica cuja reprodução pode ser acelerada por meio de técnicas de cultivo. “Aí, qual é o nosso papel? Nosso papel é acelerar e ter essa multiplicação. Porque, na natureza, o curauá vai dar mais ou menos até 12 mudinhas em seis meses. No nosso protocolo, a gente consegue 700 mudas cultivadas nesse mesmo período. Então, isso já é um avanço muito grande.” Além do curauá, os laboratórios também trabalham com tucumã, cacau, plantas medicinais e ornamentais.
Outra área importante é a Central Analítica, responsável por avaliar a qualidade das matérias-primas e dos produtos desenvolvidos. Um dos exemplos apresentados pelo diretor de operações envolve o camu-camu, fruto regional conhecido pela elevada concentração de vitamina C. Por meio de análises laboratoriais, é possível identificar a quantidade do nutriente presente em produtos alimentícios, elaborar tabelas nutricionais e fornecer informações técnicas que auxiliam os empreendedores a compreender e apresentar o valor de seus produtos ao mercado.
O trabalho do CBA também busca apoiar quem deseja iniciar ou desenvolver um negócio baseado na biodiversidade amazônica. A proposta é oferecer conhecimento científico, infraestrutura laboratorial e acompanhamento técnico para enfrentar desafios relacionados à qualidade dos produtos e às exigências do mercado. Para Caio Perecin, essa aproximação entre pesquisadores e empreendedores é fundamental para transformar ideias em oportunidades econômicas. “E o CBA vai ter essa competência de entender a biodiversidade, o que você tem ali do seu desafio tecnológico, e daí a gente vai construir isso juntos.”
Ao completar 357 anos, Manaus encontra na bioeconomia uma oportunidade de associar sua riqueza natural ao desenvolvimento científico e econômico. As atividades do CBA demonstram como a pesquisa pode contribuir para valorizar espécies amazônicas, apoiar empreendedores e estimular a criação de produtos sustentáveis. A expectativa é que essa integração entre ciência e setor produtivo fortaleça novos negócios, amplie as oportunidades de emprego e renda e contribua para um modelo de desenvolvimento conectado à identidade e às potencialidades da Amazônia.