Espaço do INPA reúne turismo de natureza, pesquisas científicas e projetos de conservação do peixe-boi da Amazônia, com apoio da AMPA.
Manaus completa 357 anos neste sábado (24) cercada por uma das maiores riquezas naturais do planeta: a biodiversidade amazônica. Em meio ao crescimento urbano, o Bosque da Ciência, administrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), se destaca como um espaço de pesquisa, educação ambiental e turismo de natureza, aproximando moradores e visitantes das riquezas naturais da região.
(1).jpg)
Criado em 1952 e instalado em Manaus em 1954, o INPA se tornou referência em estudos sobre a Amazônia. Em 1995, inaugurou o Bosque da Ciência, com aproximadamente 13 hectares de área verde. Para o coordenador Jorge Lobato, o espaço representa um importante refúgio ambiental dentro da capital. "E o INPA deixa esse legado, essa entrega desse fragmento com essa proposta de um espaço verde, de um refúgio em pleno perímetro urbano da cidade de Manaus".
Pelas trilhas, os visitantes podem conhecer ariranhas, jacarés, quelônios, peixes e diferentes espécies vegetais. O Bosque também abriga animais de vida livre, como macacos, cutias, preguiças e aves. Além de atrair turistas, o espaço permite que os próprios amazonenses conheçam melhor a biodiversidade presente na região.
Entre as espécies estudadas pelo INPA está o peixe-boi da Amazônia, historicamente ameaçado pela caça para consumo da carne e comercialização do couro. Desde 1974, o Laboratório de Mamíferos Aquáticos desenvolve pesquisas sobre a espécie, ampliando o conhecimento científico e contribuindo para sua preservação.
A presidente da Associação dos Amigos do Peixe-boi (AMPA), Gisele de Castro, destaca o encantamento provocado pelo contato com esses animais e a importância de continuar estudando sua biologia. "Apesar de serem muito conhecidos, sempre tem coisa pra gente descobrir. Então essa é a motivação que me fez querer ficar aqui."
Fundada em 2000, a AMPA atua em parceria com o INPA na conservação de mamíferos aquáticos, apoiando pesquisas, reabilitação e ações de educação ambiental. Para manter os projetos em funcionamento, a associação depende da captação de recursos e de parcerias que ajudam a custear alimentação, cuidados veterinários, manutenção da estrutura e operações de soltura.
(4).jpg)
O resgate dos peixes-bois geralmente começa após o acionamento de órgãos ambientais, que podem encaminhar os animais ao INPA. No instituto, eles passam por avaliação veterinária e recebem uma identificação individual, feita também por meio da mancha na barriga, que possui um padrão único, semelhante à impressão digital humana.
Segundo o médico-veterinário Anselmo D'Fonseca, a maioria dos animais recebidos chega ainda nos primeiros dias de vida. "A maioria deles chega aqui com dias de nascido. Tipo, 99% dos animais que chegam são filhotes recém-nascidos." A recuperação pode durar anos e envolve alimentação especial, acompanhamento clínico e uma etapa de adaptação em semicativeiro antes da possível devolução aos rios amazônicos.
Outro desafio envolve filhotes encontrados presos em malhadeiras. Anselmo alerta que nem sempre esses animais foram abandonados, já que as mães podem permanecer nas proximidades. Por isso, a população deve acionar os órgãos ambientais para receber orientação especializada, evitando intervenções que possam comprometer a segurança dos animais.