Pesquisa de opinião realizada pelo Ipec revelou percepção pública sobre qualidade do meio ambiente; o calor excessivo foi apontado como principal impacto da mudança climática.
A poluição do ar, as queimadas e o desmatamento são os principais problemas ambientais enfrentados por Manaus, segundo percepção dos próprios moradores. A constatação vem de uma pesquisa realizada pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica), encomendada pelo Instituto Cidades Sustentáveis e publicada pelo jornal O Globo.
O levantamento entrevistou 3.500 pessoas nas dez capitais mais populosas do país, revelando que 52% dos manauaras apontam a poluição atmosférica como a maior preocupação. A sondagem teve como objetivo fornecer dados que possam orientar políticas públicas ambientais nos municípios brasileiros.
Apesar de o estudo ter sido conduzido em áreas urbanas e metropolitanas, os resultados mostram que as prioridades ambientais variam conforme a realidade local. Em Recife (PE), por exemplo, a maior preocupação é com a poluição dos rios e mares, enquanto em Salvador (BA) lidera a lista a poluição sonora.
Já em Porto Alegre (RS), onde as enchentes de 2024 deixaram marcas profundas, 60% dos entrevistados citaram a gestão hídrica como o maior problema ambiental. Em contraste, no Rio de Janeiro, a poluição do ar foi o principal destaque, seguida por dificuldades no abastecimento de água.
Em Belém (PA), outra capital amazônica, os maiores problemas apontados pelos moradores foram a precariedade do saneamento básico, a coleta ineficiente de lixo e a poluição sonora, uma realidade diferente da observada em Manaus, onde os impactos das queimadas e do desmatamento são sentidos de forma mais direta.
O levantamento também investigou os efeitos percebidos das mudanças climáticas nas cidades. Em nove das dez capitais, o calor excessivo apareceu como o principal impacto. A exceção foi novamente Porto Alegre, onde as enchentes ocuparam o primeiro lugar nas preocupações relacionadas à crise do clima.
No aspecto econômico, a inflação no preço dos alimentos foi considerada o principal reflexo das mudanças climáticas, mencionada por 11% dos entrevistados. Para 54% dos participantes, o controle do desmatamento e da ocupação de áreas de manancial é a principal ação esperada por parte das prefeituras.
De acordo com Igor Pantoja, coordenador de relações institucionais do Instituto Cidades Sustentáveis, a pesquisa mostra que a população reconhece a responsabilidade dos governos locais na agenda ambiental. "Mais de 80% acreditam que o município deve agir, e é preciso transformar essa percepção em políticas públicas concretas", destacou.