Brasil

Maioria dos envolvidos no tráfico afirma que deixaria o crime, diz pesquisa

Levantamento ouviu quase 4 mil pessoas em 23 estados e aponta desejo de mudança condicionado a oportunidades

19 de Novembro de 2025
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

A maioria das pessoas envolvidas com o tráfico de drogas deixaria o crime se tivesse estabilidade econômica e oportunidade de sustento, aponta a pesquisa Raio-X da Vida Real, do Instituto Data Favela, divulgada na última segunda-feira (17). Entre os 3.954 entrevistados, 58% afirmaram que sairiam voluntariamente dessa condição, enquanto 31% disseram que não abandonariam o crime.

O estudo, realizado entre agosto e setembro de 2025 em favelas de 23 estados, mostra que abrir o próprio negócio motivaria 22% a deixar a atividade, e 20% precisariam de um emprego com carteira assinada. Em alguns estados, o cenário é inverso: no Ceará, 44% não sairiam do crime, e no Distrito Federal, apenas 7% deixariam a atividade.

A baixa remuneração também aparece como fator decisivo. Segundo a pesquisa, 63% ganham até dois salários mínimos, com renda média de R$ 3.536, e 18% afirmam que o dinheiro não cobre o mês. Para o diretor técnico do Data Favela, Geraldo Tadeu Monteiro, o retorno financeiro é menor do que muitos imaginam e não compensa os riscos.

A necessidade econômica é apontada como porta de entrada para o crime, e muitos entrevistados acumulam outras fontes de renda: 42% fazem bicos, 24% têm pequenos empreendimentos e 16% trabalham com carteira assinada.

O levantamento, considerado o maior já feito com pessoas em atividade no tráfico, também traçou o perfil dos entrevistados: 79% são homens; 74% negros; metade tem entre 13 e 26 anos; 80% nasceram e cresceram na mesma favela; e 42% não concluíram o ensino fundamental. Entre os vínculos afetivos, a mãe aparece como principal referência para 43%, e 84% afirmam que não deixariam um filho entrar no crime.

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