A pesquisa reforça que a polarização política no Brasil segue forte e que a opinião pública está dividida quanto às consequências jurídicas para o ex-presidente, mesmo após ele ter sido tornado inelegível pela Justiça Eleitoral até 2030
Segundo pesquisa do Datafolha, 52% dos brasileiros acreditam que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deveria ser preso pelas ações ligadas à tentativa de golpe para se manter no poder. Por outro lado, 42% são contrários à prisão e 7% não souberam opinar sobre o caso.
A mesma pesquisa aponta que também 52% da população não acredita que Bolsonaro acabará preso, enquanto 41% acham que ele será condenado. O levantamento foi realizado entre os dias 1º e 3 de abril, com 3.054 pessoas em 172 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Bolsonaro foi tornado réu recentemente pela Primeira Turma do STF, sob acusação de liderar uma tentativa de abolição do Estado democrático de Direito. A denúncia, feita pela PGR com base em investigações da Polícia Federal, liga o ex-presidente a crimes cometidos no final de 2022.
O ex-presidente nega envolvimento direto e afirma que apenas avaliou “cenários constitucionais”. Atualmente, ele promove manifestações pedindo anistia para os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, que teriam sido o desdobramento do golpe fracassado.
As opiniões sobre a prisão variam conforme região, religião e classe social. No Nordeste, 59% defendem a prisão. Entre os católicos, 55% são favoráveis, enquanto entre evangélicos, 54% são contra. No Sul, há empate técnico com leve vantagem para os que defendem liberdade.
Entre os apoiadores do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), possível sucessor de Bolsonaro em 2030, 79% acreditam que o ex-presidente não deve ser preso. Tarcísio tem mantido apoio a Bolsonaro, embora tente se posicionar como figura moderada.
A crença de que Bolsonaro será preso é maior entre os mais instruídos (50% dos que têm ensino superior) e entre os que ganham mais de 10 salários-mínimos (47%). Já entre os jovens de 16 a 24 anos, 57% acreditam que ele ficará livre.
A pesquisa reforça que a polarização política no Brasil segue forte e que a opinião pública está dividida quanto às consequências jurídicas para o ex-presidente, mesmo após ele ter sido tornado inelegível pela Justiça Eleitoral até 2030.