Ciência e Tecnologia

Maior fusão de buracos negros já registrada é confirmada por cientistas

Colisão formou buraco negro 265 vezes mais massivo que o Sol; fenômeno foi detectado por ondas gravitacionais.

14 de Julho de 2025
Foto: SXS / Divulgação

Cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido anunciaram, no último domingo (13), a maior fusão de buracos negros massivos já registrada, detectada através de ondas no espaço-tempo. A descoberta foi feita por meio de observações do Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro a Laser, o Ligo.

Os buracos negros, cada um com mais de 100 vezes a massa do Sol, orbitaram um ao outro por bilhões de anos até colidirem, formando um buraco negro ainda maior, localizado a cerca de 10 bilhões de anos-luz da Terra.

A fusão gerou ondas gravitacionais, ondulações no espaço-tempo, que chegaram à Terra em 23 de novembro de 2023. O sinal foi tão intenso que fez com que os detectores do Ligo nos Estados Unidos se esticassem e contraíssem por um décimo de segundo. O fenômeno foi catalogado como GW231123.

"Esses são os eventos mais violentos que podemos observar no universo, mas quando os sinais chegam à Terra, são os fenômenos mais fracos que podemos medir. Quando essas ondulações chegam à Terra, elas são minúsculas", disse o professor Mark Hannam, chefe do Instituto de Exploração Gravitacional da Universidade de Cardiff.

A fusão foi apresentada oficialmente nesta segunda-feira (14), durante a conferência GR-Amaldi em Glasgow, Escócia, uma das maiores reuniões de especialistas em ondas gravitacionais do mundo.

Segundo os cientistas, os buracos negros tinham respectivamente 103 e 137 vezes a massa do Sol e giravam 400 mil vezes mais rápido que a Terra, quase no limite teórico para esse tipo de objeto. A colisão formou um buraco negro com 265 vezes a massa solar, superando em quase o dobro o recorde anterior de 140 massas solares.

A maioria dos buracos negros se forma quando estrelas massivas colapsam no fim de seus ciclos, criando o chamado horizonte de eventos, de onde nem mesmo a luz escapa. A fusão observada, no entanto, desafia as expectativas.

"Estas são as maiores massas de buracos negros que medimos com segurança com ondas gravitacionais. E elas são estranhas, porque estão bem na faixa de massas em que, devido a todos os tipos de coisas estranhas que acontecem, não esperamos que buracos negros se formem", afirmou Hannam.

Pesquisadores do Ligo acreditam que os buracos negros fundidos possam ter se formado por fusões anteriores, o que explicaria sua massa elevada e a rotação extrema.

Até hoje, cerca de 300 fusões de buracos negros foram detectadas por meio de ondas gravitacionais. Segundo Hannam, os próximos detectores planejados para os próximos 10 a 15 anos poderão registrar todas as fusões existentes no universo, e talvez até fenômenos inesperados.

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