Pesquisa indica que fatores biológicos também participam do desenvolvimento do transtorno, embora não expliquem a condição isoladamente.
Pesquisadores encontraram as primeiras evidências robustas de que fatores genéticos podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno de personalidade borderline (TPB). Publicado na revista Nature Genetics, o maior estudo genético já realizado sobre a condição identificou 11 regiões do genoma humano associadas ao transtorno, além de nove genes funcionais localizados nessas áreas ou em suas proximidades.
A análise reuniu dados de 27 estudos e comparou inicialmente o material genético de 12.339 pessoas diagnosticadas com TPB com o de mais de 1 milhão de indivíduos sem o transtorno. Os resultados foram posteriormente testados em outro grupo, formado por 685 pacientes e mais de 107 mil pessoas sem o diagnóstico. Os pesquisadores também observaram semelhanças genéticas entre o borderline e condições como depressão, TDAH, comportamento antissocial e, principalmente, transtorno de estresse pós-traumático.
Segundo os cientistas, as variantes encontradas explicam aproximadamente 17% do risco hereditário relacionado ao diagnóstico. Apesar da relevância da descoberta, os autores destacam que a genética não determina sozinha o desenvolvimento do transtorno, que também pode ser influenciado por fatores ambientais e experiências de vida. O estudo ainda não permite a criação de testes genéticos capazes de diagnosticar ou prever individualmente o TPB.