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Maior ataque aéreo russo desde início da guerra deixa mortos em Kiev

Mais de 800 drones e mísseis atingiram a Ucrânia; prédio do governo foi danificado.

07 de Setembro de 2025
Foto: Reprodução

A Rússia lançou neste domingo (7) o maior ataque aéreo desde o início da guerra contra a Ucrânia, atingindo a capital Kiev e diversas regiões do país. De acordo com autoridades ucranianas, pelo menos cinco pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas. O bombardeio incluiu cerca de 810 drones e 13 mísseis, segundo o porta-voz da Força Aérea da Ucrânia, Yuriy Ihnat.

Pela primeira vez, um prédio do governo em Kiev foi atingido. O gabinete de ministros, localizado no distrito histórico de Pechersky, sofreu danos e uma coluna de fumaça foi vista saindo do local. Ainda não se sabe se o edifício foi diretamente atingido por um míssil ou se os estragos foram provocados por destroços de ataques próximos.

A ofensiva russa também causou destruição em outras regiões, incluindo Zaporizhzhia, Kryvyi Rih, Odesa, Sumy e Chernihiv. Entre as vítimas, estão um bebê de três meses, morto após o ataque a um prédio residencial no oeste de Kiev, e um homem de 54 anos em Dnipropetrovsk. Em Zaporizhzhia e Sumy, outras duas mortes foram confirmadas no fim de semana.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, condenou a ofensiva e pediu reforço na defesa aérea do país. “Esses assassinatos agora, quando a diplomacia já poderia ter começado, são um crime deliberado e um prolongamento da guerra”, declarou em publicação no X. Ele também afirmou ter conversado com o presidente da França, Emmanuel Macron, para alinhar esforços diplomáticos.

Macron, por sua vez, condenou os ataques, dizendo que a Rússia “se aprofunda na lógica da guerra e do terror”. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também se manifestou, afirmando que os bombardeios mostram que o presidente russo Vladimir Putin “acredita que pode agir impunemente” e não demonstra interesse pela paz.

A Rússia confirmou a autoria do ataque, afirmando que o objetivo eram fábricas de armamentos, depósitos militares, aeródromos, estações de radar e arsenais utilizados pelo Exército ucraniano. Moscou também declarou que alvos de drones e bases de mercenários estrangeiros foram atingidos. Já Kiev informou que conseguiu abater 747 drones e quatro mísseis, mas reconheceu 56 ataques de drones e nove impactos de mísseis em 37 localidades.

A primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Svyrydenko, afirmou que o país reconstruirá os prédios destruídos, mas lamentou a perda de vidas. “O mundo precisa responder não apenas com palavras, mas com ações”, declarou no Telegram. Bombeiros e equipes de resgate seguem mobilizados em Kiev, onde prédios residenciais também foram atingidos e dezenas de moradores tiveram de deixar suas casas.

O ataque ampliou o pessimismo em relação a um possível cessar-fogo. O presidente russo Vladimir Putin segue resistente às negociações, apoiado pelo fortalecimento das relações com a China. Já os Estados Unidos e aliados europeus prometeram apoio à Ucrânia, mas ainda discutem medidas concretas de auxílio, como envio de tropas ou novos sistemas de defesa aérea.

Segundo o Ministério da Defesa ucraniano, uma nova reunião com parceiros internacionais deve ocorrer na próxima semana. A expectativa é discutir reforço das defesas aéreas e estratégias para ampliar a capacidade ofensiva contra a Rússia, em meio ao que já é considerado o conflito mais devastador da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

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