Presidente também diz ter frustrado suposto plano da DEA para incriminar seu governo com drogas.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, reagiu às declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que afirmou não ter planos de mudar o regime venezuelano e justificou a presença militar dos EUA na região como combate ao tráfico de drogas.
Em encontro na Câmara de Autogoverno Comunitário Simón Rodríguez, em La Guaira, na última quinta-feira (18), Maduro disse que a suposta “ameaça” americana visa controlar os recursos naturais do país.
“Há um plano imperial para mudar o governo da Venezuela, instalar um governo fantoche e roubar todo o petróleo, gás, ouro e outros recursos do país”, afirmou.
Milícias e treinamento com armas
O presidente também anunciou que, neste sábado (20), as Forças Armadas irão até as comunidades para ensinar os integrantes das milícias a manejar armas de fogo.
“Será a primeira vez em que os quartéis, com suas armas e soldados, vão até o povo, até as comunidades, até os bairros”, declarou.
Acusação contra a DEA
O governo venezuelano acusa ainda a agência antidrogas dos EUA (DEA) de preparar uma operação de “bandeira falsa” para associar o país ao tráfico.
Segundo o ministro do Interior, Diosdado Cabello, quase quatro toneladas de cocaína teriam sido embarcadas da Colômbia com destino aos EUA para incriminar Caracas. A carga, diz o governo, foi interceptada em águas venezuelanas e os envolvidos estão presos.
Cabello relatou que o suposto proprietário da droga seria Levi Enrique López Batis, identificado como agente da DEA.
“Tudo isso faz parte da mesma operação para acusar a Venezuela de qualquer tipo de atrocidade”, disse o ministro, acrescentando que é “difícil de acreditar” que os navios destruídos pelos EUA no Caribe transportavam drogas, já que ninguém teria visto o entorpecente.
As declarações agravam a tensão entre Caracas e Washington em meio a novos exercícios militares e a disputa pelo controle das reservas de petróleo e gás do país sul-americano.