Política

Lula reafirma soberania do Brasil em entrevista ao New York Times

Presidente diz que país não aceitará participar de Guerra Fria contra a China.

30 de Julho de 2025
Foto: Ricardo Stuckert / PR

A dois dias da entrada em vigor das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ao jornal norte-americano The New York Times que o Brasil negociará como um país soberano e não aceitará ser envolvido em uma nova Guerra Fria entre EUA e China.

Durante a entrevista ao jornalista Jack Nicas, Lula foi questionado sobre o impacto de suas críticas ao presidente Donald Trump nas negociações comerciais. O chefe do Executivo respondeu que não teme represálias, embora esteja preocupado com as tarifas de 50% que os EUA anunciaram sobre produtos brasileiros.

“Mas em nenhum momento o Brasil negociará como se fosse um país pequeno contra um país grande. O Brasil negociará como um país soberano. Na política entre dois Estados, a vontade de nenhum deve prevalecer. Precisamos sempre encontrar um meio-termo. Isso não se consegue estufando o peito e gritando sobre coisas que não se pode realizar, nem abaixando a cabeça e simplesmente dizendo ‘amém’ a tudo o que os EUA desejam”, afirmou Lula.

O presidente acrescentou que, caso a medida tenha sido motivada pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), quem sofrerá as consequências serão os consumidores dos dois países. “Acho que a causa não merece isso. O Brasil tem uma Constituição, e o ex-presidente está sendo julgado com pleno direito de defesa”, disse.

Lula também criticou a mistura entre temas políticos e comerciais feita por Trump. “Se ele quer ter uma briga política, então vamos tratá-la como uma briga política. Se ele quer falar de comércio, vamos sentar e discutir comércio. Mas não se pode misturar tudo”, declarou.

Ao ser questionado por que não telefonou diretamente para Trump, Lula respondeu que buscou diálogo por meio de ministros, mas que não houve retorno por parte dos EUA. “Até agora, não foi possível”, afirmou. Segundo ele, o governo brasileiro enviou uma carta oficial no dia 16 de maio pedindo uma resposta, mas o retorno foi o anúncio das tarifas pelo site oficial de Trump. “Espero, portanto, que a civilidade retorne à relação Brasil-EUA. O tom da carta dele é definitivamente o de alguém que não quer conversar”, disse.

Sobre a relação com a China, Lula reforçou que o Brasil não pretende tomar partido em disputas geopolíticas. “Temos uma relação comercial extraordinária com a China. Se os Estados Unidos e a China quiserem uma Guerra Fria, não aceitaremos. Não tenho preferência. Tenho interesse em vender para quem quiser comprar de mim, para quem pagar mais”, concluiu.

Na segunda-feira (28), o governo chinês manifestou apoio ao Brasil e criticou as tarifas norte-americanas. Em nota, Pequim disse estar pronta para trabalhar com o país na defesa de um sistema multilateral de comércio baseado na equidade e centrado na Organização Mundial do Comércio (OMC).

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