Presidente avalia reenviar nome ao Senado, mas decisão ainda depende de articulação política.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a aliados, nos últimos dias, que está disposto a enviar novamente ao Senado a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A intenção, segundo interlocutores, é fazer esse movimento antes das eleições de outubro, mesmo sem garantia de como seria uma nova votação.
Apesar da disposição demonstrada pelo presidente, aliados ponderam que a decisão ainda depende de conversas políticas e de uma articulação mais sólida com o Senado. Lula também ainda não teria fechado entendimento com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, sobre o nome que será apresentado.
Segundo integrantes do Palácio do Planalto, um dos momentos que reforçou a intenção de Lula ocorreu durante a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última terça-feira (12). Na cerimônia, Messias foi longamente aplaudido, gesto interpretado pelo presidente como sinal de reconhecimento ao trabalho do advogado-geral da União.
Para Lula, os aplausos funcionaram como uma espécie de desagravo após a derrota sofrida por Messias no Senado. O episódio ganhou ainda mais peso porque Alcolumbre, que estava presente na solenidade, não aplaudiu o indicado nem cumprimentou o presidente da República. Os dois estavam lado a lado à mesa da cerimônia, o que gerou um clima de desconforto durante o evento.
Antes da posse no TSE, Messias teve uma conversa com Lula. Foi o segundo encontro entre os dois desde a rejeição no Senado. Aliados do advogado-geral da União afirmam que ele só aceitaria uma nova indicação caso houvesse segurança maior de aprovação, especialmente depois do desgaste provocado pela primeira derrota.
Messias entrou em férias na quarta-feira (13) e deve retornar ao trabalho apenas no dia 26 de maio. Após a rejeição no Senado, ele recebeu manifestações de apoio de juristas ligados a Lula, aliados do governo e lideranças evangélicas, que avaliaram o episódio como resultado de uma disputa política no Congresso.
Nos bastidores, apoiadores de Messias afirmam que a rejeição não teria ocorrido por falta de reputação ou capacidade técnica para ocupar uma cadeira no Supremo. A vaga no STF está aberta desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025. A derrota no Senado foi considerada um episódio grave para o Palácio do Planalto, já que a rejeição de uma indicação ao Supremo não acontecia desde 1894.
Outra possibilidade chegou a ser discutida: a ida de Messias para o Ministério da Justiça. No entanto, essa alternativa está em segundo plano. O atual ministro, Wellington César Lima e Silva, enfrenta críticas internas, mas interlocutores afirmam que a pasta não seria atrativa para Messias neste momento, principalmente pela proximidade do fim do mandato e pela possível criação de um ministério específico para a área da Segurança Pública.