Presidente brasileiro pode visitá-la em julho durante a Cúpula do Mercosul
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou solidariedade à ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, na última quarta-feira (11), após a Suprema Corte do país vizinho manter sua condenação a seis anos de prisão por fraude. A decisão também impede Cristina de ocupar cargos públicos de forma vitalícia.
“Telefonei hoje no final da tarde para a companheira Cristina Kirchner (@CFKArgentina) e manifestei toda a minha solidariedade”, publicou Lula na rede social X (antigo Twitter). A publicação veio após a Corte rejeitar o recurso da ex-presidente peronista contra a decisão de 2022.
Na conversa, o presidente brasileiro disse ter notado “com satisfação, a maneira serena e determinada com que Cristina encara essa situação adversa e o quanto está determinada a seguir lutando”. O telefonema é visto como um gesto de reciprocidade pelo apoio que Cristina lhe prestou quando esteve preso.
Lula chegou a passar 580 dias preso entre 2018 e 2019, e teve suas condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou o ex-juiz Sergio Moro parcial e vetou a prisão após condenações em segunda instância. Durante esse período, Cristina e outros líderes progressistas manifestaram apoio público ao petista.
Aliados de Lula cogitam uma visita à ex-presidente caso ela possa receber visitas em prisão domiciliar. Lula viajará à Argentina no dia 3 de julho para a Cúpula do Mercosul, na qual o Brasil assumirá a presidência temporária do bloco, atualmente sob comando argentino.
A defesa de Cristina Kirchner já solicitou que a pena seja cumprida em regime domiciliar, sem tornozeleira eletrônica. A possibilidade de um encontro com Lula durante a visita oficial dependerá da decisão judicial sobre as condições da pena.
O gesto de Lula reforça a aliança histórica entre o petista e o peronismo argentino, especialmente em momentos de tensão política e judicial. Em 2018, Cristina chegou a criticar publicamente a inelegibilidade de Lula, afirmando que sua candidatura era barrada porque ele “ganharia amplamente as eleições”.
A publicação de Lula e a ligação telefônica foram vistas no Planalto como um gesto esperado, retribuindo os posicionamentos de solidariedade que ele próprio recebeu da ex-presidente argentina e do então candidato Alberto Fernández, que o visitou pessoalmente na prisão em Curitiba.