A operação da PF mobilizou 211 mandados de busca e apreensão, seis mandados de prisão temporária e ordens de sequestro de bens avaliados em mais de R$ 1 bilhão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou a demissão de Alessandro Stefanutto do comando do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) após a deflagração da operação "Sem Desconto", da Polícia Federal. A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União na noite desta quarta-feira e não foi "a pedido".
A investigação apura cobranças indevidas feitas por entidades em contas de aposentados e pensionistas, com suspeitas de irregularidades na aplicação de descontos associativos sobre benefícios previdenciários. A operação resultou no afastamento de Stefanutto e outros quatro integrantes da cúpula do órgão.
Segundo fontes do Palácio do Planalto, a decisão partiu diretamente do presidente Lula, que avaliou como grave o envolvimento do INSS nas irregularidades. Stefanutto já havia sido alvo de mandados de busca em seu gabinete e em sua residência.
O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), indicado político de Stefanutto, ainda resistia à saída do presidente do INSS. Lupi tentou convencer Lula a adiar a demissão, argumentando que a medida poderia gerar desgaste político.
A operação da PF mobilizou 211 mandados de busca e apreensão, seis mandados de prisão temporária e ordens de sequestro de bens avaliados em mais de R$ 1 bilhão. As ações ocorreram no Distrito Federal e em 14 estados, incluindo São Paulo, Amazonas, Goiás e Minas Gerais.
A investigação aponta que as cobranças ilegais eram feitas com autorização indevida sobre os benefícios do INSS. Entre os atingidos, estão principalmente aposentados, que tinham parte de suas aposentadorias comprometida sem consentimento.
No governo, a operação é tratada com cautela, dada sua repercussão e o impacto sobre a imagem do Ministério da Previdência. Stefanutto havia sido indicado ao cargo por Carlos Lupi, o que aumenta a pressão política sobre a pasta.