Economia

Lula avalia efeitos de medida dos EUA contra facções brasileiras

Governo quer medir possíveis efeitos da classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas sobre empresas e bancos do país.

Por: Portal Amz em Pauta
02 de Junho de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, uma avaliação sobre possíveis impactos econômicos ao Brasil após a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

Lula e Durigan se reuniram na segunda-feira (1º), no Palácio da Alvorada, para tratar do tema. Segundo o ministro, a principal preocupação do governo brasileiro é evitar que protocolos externos provoquem prejuízos a empresas, bancos e instituições nacionais sem base em situações concretas.

Durigan afirmou que o Brasil seguirá atuando no combate ao crime organizado, mas defendeu que a medida dos Estados Unidos não pode gerar efeitos econômicos considerados injustos ou desproporcionais para o país.

O ministro também destacou que a Fazenda está reunindo informações para avaliar os próximos passos. Segundo ele, o governo brasileiro quer compreender se a classificação pode afetar transações financeiras, relações comerciais ou operações de empresas brasileiras no exterior.

Durigan disse estar aberto ao diálogo com autoridades norte-americanas, embora ainda não haja reunião marcada com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent. O ministro afirmou que, após concluir o diagnóstico, poderá levar o posicionamento brasileiro ao governo americano.

De acordo com Durigan, o objetivo do governo é proteger empresários, empregos e instituições financeiras brasileiras de eventuais interferências externas que possam prejudicar a economia nacional. Ele afirmou que ações de cooperação internacional contra o crime organizado são bem-vindas, desde que não prejudiquem o funcionamento regular da economia brasileira.

A Fazenda também tem mantido conversas com empresários de diferentes setores, incluindo o mercado financeiro, para identificar possíveis vulnerabilidades e ouvir preocupações sobre os efeitos da decisão norte-americana.

Além do tema envolvendo os Estados Unidos, Durigan tratou com Lula da agenda internacional de investimentos do Brasil. No fim do mês, o ministro deve viajar à China e ao Japão para apresentar o programa Eco Invest Brasil, voltado à captação de recursos internacionais para investimentos sustentáveis.

Durante a reunião, também foram discutidos dados recentes da economia brasileira. O Produto Interno Bruto cresceu 1,1% no primeiro trimestre, enquanto a formação bruta de capital fixo, indicador ligado ao nível de investimentos no país, avançou 3,5%.

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