Presidente visita comunidades e reforça compromissos com povos tradicionais antes da COP30
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou no último domingo (2) a Aldeia Vista Alegre de Capixauã, localizada na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, na região de Santarém, no Pará. Durante a visita, o chefe do Executivo prometeu levar energia elétrica a 4.338 famílias indígenas que vivem sem acesso regular ao serviço na comunidade. O anúncio foi feito após conversas com lideranças locais e a constatação da precariedade energética no local.
“Uma coisa que eu estranhei. Eu pensei que tinha energia, porque eu estou vendo uma luz acesa aqui, e eu vi que todo mundo se queixou de energia”, afirmou Lula, ao lado de ministros e da primeira-dama, Janja da Silva. Ele garantiu que o governo federal vai buscar uma solução sustentável para o problema. “Hoje a energia é a coisa mais fácil para a gente fazer, porque podemos usar placas solares e preservar o meio ambiente. Eu prometo para vocês que vão ter energia aqui na comunidade”, declarou.
A recepção do presidente foi conduzida pela cacique Irenilce Kumaruara, que apresentou as demandas das famílias indígenas. A principal reivindicação é a instalação de uma rede elétrica que atenda mais de 13 mil pessoas. O encontro contou com a presença das ministras Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas), além da presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joência Wapichana.
Demarcações e avanços indígenas
Durante o evento, Joência Wapichana anunciou que o processo de demarcação das comunidades Vista Alegre e Escrivão deve ocorrer no primeiro semestre do próximo ano. Ela destacou que a Funai tem priorizado o avanço dessas ações. “Estamos com essa programação de fazer as demarcações físicas no primeiro semestre do ano que vem. É um compromisso do governo com os povos indígenas”, explicou. Desde o início do terceiro mandato de Lula, já foram demarcadas 16 novas terras indígenas, superando a meta inicial de 14 áreas homologadas.
Além de discutir infraestrutura e demarcação, Lula também anunciou a criação da Universidade Indígena, que será lançada no dia 17 de novembro em Brasília. Segundo o presidente, a instituição terá sede na capital federal, mas contará com polos de extensão em vários estados. “A gente já tem ministra indígena, a Funai indígena, o chefe da saúde indígena, e falta a universidade indígena. Ela vai permitir que os jovens estudem perto de onde moram e não precisem sair de suas comunidades”, afirmou.
A visita faz parte da agenda preparatória para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorrerá de 10 a 21 de novembro em Belém, no Pará. No sábado (1º), o presidente inaugurou a ampliação do aeroporto internacional e do Porto de Outeiro, obras que integram a infraestrutura logística para o evento da ONU. Lula permanecerá no estado nos próximos dias para acompanhar a Cúpula do Clima, prevista para os dias 6 e 7 de novembro.
Durante a visita à comunidade ribeirinha do Jamaraquá, também na região do Tapajós, Lula destacou a importância da COP30 para dar visibilidade à Amazônia. “Essa COP30 é um momento único na história do Brasil. É quando o mundo vai olhar a Amazônia com o respeito que ela merece. Não é só pedir para manter a floresta em pé, é garantir condições econômicas e sociais para quem vive nela”, afirmou o presidente diante de extrativistas e ribeirinhos.
A comunidade do Jamaraquá, próxima a Alter do Chão, é reconhecida por sua experiência em turismo de base comunitária e produção de biojóias. A ministra Marina Silva elogiou o modelo local de desenvolvimento sustentável. “Aqui é um exemplo de bioeconomia e sociobiodiversidade. Eles mantêm a floresta em pé e geram dignidade e renda para as famílias”, disse.
Segundo a ministra, a Floresta Nacional do Tapajós abriga cerca de 1,2 mil famílias em mais de 500 mil hectares preservados. “Essas comunidades mostram que é possível conciliar floresta viva e qualidade de vida”, completou. A visita de Lula reforçou o compromisso do governo com a preservação ambiental e a valorização dos povos que vivem na Amazônia, consolidando a agenda verde e social que o Brasil pretende apresentar ao mundo durante a COP30.