Os especialistas também sugerem que González Urrutia poderia estabelecer um governo no exílio, mas alertaram sobre a limitada influência prática de iniciativas desse tipo
O líder da oposição venezuelana, Edmundo González Urrutia, intensificou a sua campanha internacional após alegar ter vencido as eleições presidenciais de 28 de julho. Durante visitas a países como Argentina, Estados Unidos e República Dominicana, ele buscou apoio internacional e garantiu que retornará à Venezuela para assumir a presidência no dia 10 de janeiro, apesar das ameaças de prisão.
Enquanto isso, Nicolás Maduro mantém sua posição com o respaldo de instituições leais e o apoio das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB). Analistas ouvidos pela CNN apontam que a continuidade de Maduro no poder é parcialmente garantida devido à força das instituições venezuelanas e à fidelidade do comando militar.
Embora González Urrutia tenha obtido reconhecimento de governos como Argentina, Estados Unidos e Equador, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e o Supremo Tribunal de Justiça declararam Maduro vencedor das eleições. Países como China, Rússia e Cuba também ratificaram o apoio ao presidente venezuelano.
Durante sua campanha, González Urrutia convocou os militares venezuelanos para permitir uma transição de poder. Contudo, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, reafirmou o apoio das Forças Armadas a Maduro, destacando que eles continuarão a reconhecê-lo como chefe de Estado.
Giovanna De Michele, analista internacional, acredita que a oposição enfrenta obstáculos intransponíveis sem o apoio militar. Segundo ela, mudanças políticas substanciais ocorrerão com a colaboração das forças internacionais do Estado, especialmente as instituições de segurança.
Os especialistas também sugerem que González Urrutia poderia estabelecer um governo no exílio, mas alertaram sobre a limitada influência prática de iniciativas desse tipo. Sem controle sobre os recursos e instituições dentro do território venezuelano, ele não teria condições de impactar a vida da população.
Apesar disso, o opositor tenta manter a pressão, diferenciando-se de Juan Guaidó, cuja experiência como “presidente interino” foi criticada pela falta de resultados concretos. Os analistas destacam, no entanto, que sem mudanças estruturais no cenário interno, a estratégia de González pode seguir um caminho semelhante.
Para o professor Eduardo Martínez, qualquer mudança dependerá de uma reconfiguração no apoio interno ao governo Maduro. “Sem a adesão de setores estratégicos, especialmente os militares, a oposição continuará limitada a movimentos simbólicos e à busca de reconhecimento internacional”, afirmou.