Ao falar com jornalistas em Vilnius, Tsikhanouski, de 46 anos, relatou ter perdido mais de 50 quilos durante o encarceramento.
O ativista Sergei Tsikhanouski, um dos principais nomes da oposição em Belarus, foi libertado nesta semana após quase cinco anos de prisão sob condições descritas por ele como tortura. Preso em 2020 por tentar disputar as eleições presidenciais contra Alexander Lukashenko, ele reencontrou a família na Lituânia, onde vive sua esposa, a opositora exilada Sviatlana Tsikhanouskaia.
Ao falar com jornalistas em Vilnius, Tsikhanouski, de 46 anos, relatou ter perdido mais de 50 quilos durante o encarceramento. Disse ainda ter sido mantido em isolamento prolongado, sem atendimento médico e sob constantes ameaças. “Eles me diziam: ‘Você nunca vai sair daqui. Vai morrer aqui’”, afirmou.
Detido antes mesmo do início da campanha, ele foi condenado a mais de 19 anos de prisão em um julgamento amplamente criticado por organizações internacionais. Com sua prisão, Sviatlana assumiu a liderança da oposição nas eleições de 2020, cuja vitória de Lukashenko foi denunciada como fraudulenta por governos ocidentais.
A libertação ocorreu horas após a visita do enviado especial dos Estados Unidos para a Ucrânia, Keith Kellogg, a Minsk. Para analistas, o gesto do regime — aliado de Moscou — faz parte de uma estratégia para aliviar a pressão internacional. Desde meados de 2024, Belarus já perdoou cerca de 300 presos políticos, entre eles alguns cidadãos norte-americanos.
Muito emocionado, Tsikhanouski descreveu o reencontro com os filhos. “Minha filha não me reconheceu de imediato”, contou. “Quando ela entendeu, correu até mim chorando. Meu filho também chorou. Foram emoções indescritíveis.”