Ali Khamenei diz que não se renderá e ameaça “resposta irreparável” aos EUA.
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, afirmou nesta quarta-feira (18), em discurso transmitido pela TV estatal, que o país “não irá se render” ao ultimato dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita em meio à escalada do conflito com Israel, que já entra no sexto dia, e ocorre após Trump exigir a rendição incondicional do Irã e ameaçar assassinar o líder iraniano.
Khamenei afirmou que o povo iraniano não esquecerá os ataques sofridos nem os que morreram nos confrontos.
“O povo não esquecerá o sangue dos mártires e do ataque contra o território do país”, disse.
Ele também classificou como um “grande erro” a ofensiva israelense e garantiu que haverá retaliação:
“Israel cometeu um grande erro e será punido por isso.”
O líder religioso rejeitou veementemente as declarações feitas por Trump:
“Os EUA devem saber que o Irã não se renderá e qualquer ataque americano terá consequências sérias e irreparáveis.”
E completou:
“Para o presidente americano, aqueles que conhecem a história do Irã sabem que nosso povo reage bem às ameaças.”
Sobre o pedido de rendição feito por Trump, Khamenei declarou:
“O presidente dos Estados Unidos, em uma declaração inaceitável, instou explicitamente os iranianos a se renderem, mas nós lhe dizemos: primeiro ameace aqueles que têm medo de ser ameaçados. Ameaças não afetarão o pensamento e o comportamento da nação iraniana.”
Khamenei ainda enfatizou que “a guerra será respondida com guerra” e que o Irã “não irá se submeter a nenhuma exigência ou ditame.”
Conflito se intensifica no Oriente Médio
Nesta quarta-feira (18), a guerra entre Irã e Israel entrou no sexto dia, com indícios cada vez mais fortes de que os Estados Unidos podem se envolver diretamente no conflito. Segundo informações oficiais, o número de mortos permanece em 224 no Irã e 24 em Israel.
A força aérea israelense bombardeou uma universidade ligada à Guarda Revolucionária Iraniana e atacou 12 bases de mísseis do país persa. Em resposta, o Irã lançou pelo menos 40 mísseis contra Israel, alegando ter atingido em Tel Aviv o quartel-general do Mossad, a Agência de Inteligência Nacional de Israel.
Em meio às tensões, o presidente Donald Trump disse que sabe onde o líder supremo iraniano está localizado e afirmou que os EUA têm “total controle dos céus sobre o Irã”, sugerindo uma possível entrada direta no conflito. O Pentágono já mobilizou caças e aviões-tanque para a região.
Em uma rede social, o aiatolá Khamenei chamou Israel de “regime sionista terrorista” e prometeu uma resposta forte.
O Departamento de Estado norte-americano informou que a embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém ficará fechada até sexta-feira (21), por motivos de segurança.
A tensão crescente também teve impacto na agenda internacional. A cúpula do G7 foi afetada pelo conflito, provocando o cancelamento de uma reunião que seria realizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
O regime iraniano não reconhece Israel como um estado legítimo, apoia a criação de um estado palestino e mantém vínculos com grupos como Hamas e Hezbollah.
Com informações da Reuters e CBN.