Levantamento indica queda global e alerta para riscos mesmo em democracias.
A liberdade de imprensa no mundo atingiu seu pior nível em 25 anos, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (30) pela Repórteres Sem Fronteiras. O estudo mostra que a pontuação média global dos países nunca foi tão baixa desde o início da série histórica.
De acordo com o diretor da entidade para a América Latina, Artur Romeu, a queda não ocorreu de forma abrupta, mas segue uma tendência contínua de deterioração das condições para o exercício do jornalismo. O cenário, segundo ele, reflete uma crise mais ampla das democracias no mundo.
Entre os principais fatores estão o aumento da desinformação, a hostilidade contra jornalistas e a crescente narrativa que trata a imprensa como inimiga. Essas práticas, antes mais associadas a regimes autoritários, passaram a ser observadas também em países democráticos.
O relatório aponta que, apesar da tendência global negativa, o Brasil registrou melhora, subindo 58 posições desde 2022. Ainda assim, o panorama internacional segue preocupante, com piora significativa em países das Américas.
Segundo a RSF, garantir uma imprensa livre, plural e independente é essencial para a sociedade, já que o acesso à informação de qualidade impacta diretamente a tomada de decisões da população. A entidade defende que governos não apenas evitem interferências, mas atuem de forma ativa na proteção do jornalismo.
O relatório também destaca a necessidade de políticas públicas, regulamentação de plataformas digitais e mecanismos de proteção para profissionais da imprensa, como forma de reverter a tendência de queda observada globalmente.