Mundo

Lei da Insurreição aumenta tensão entre Trump e governadores democratas nos EUA

Legislação de mais de 200 anos é citada por Trump para justificar envio de tropas a cidades americanas

07 de Outubro de 2025
Foto: REUTERS / Jonathan Ernst

A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de invocar a Lei da Insurreição, uma legislação federal com mais de dois séculos de existência, intensificou o conflito político e jurídico entre a Casa Branca e os governadores democratas de grandes cidades americanas. A medida permitiria ao governo federal mobilizar tropas das Forças Armadas em território nacional, contornando decisões judiciais e a autoridade dos estados.

Enquanto o impasse cresce, centenas de soldados da Guarda Nacional do Texas se preparam para patrulhar as ruas de Chicago nesta terça-feira (7), sob determinação direta do presidente republicano.

Trump cita lei histórica para justificar ação militar

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (6), Trump afirmou que considera utilizar a lei para enfrentar o que classifica como “falta de segurança” em cidades administradas por democratas.

“Temos uma Lei de Insurreição por um motivo. Se as pessoas estiverem sendo mortas e os tribunais estiverem nos impedindo, ou os governadores ou prefeitos estiverem nos impedindo, com certeza, eu farei isso”, declarou o presidente.

Promulgada há mais de 200 anos, a Lei da Insurreição concede ao presidente autoridade para empregar as Forças Armadas em casos de emergência, quando houver distúrbios civis ou ameaças à ordem pública. Historicamente, a legislação tem sido usada apenas em situações extremas e, na maioria das vezes, a pedido dos próprios governadores. A última vez que foi invocada ocorreu em 1992, durante os distúrbios de Los Angeles, sob o governo de George H.W. Bush.

Escalada política e uso militar nas cidades

O uso da lei representaria uma escalada sem precedentes na tentativa de Trump de enviar tropas para cidades governadas por democratas, o que especialistas consideram uma afirmação extraordinária de poder presidencial.

Na semana passada, o republicano já havia sugerido, em um discurso a comandantes militares, utilizar cidades americanas como “campos de treinamento” para as forças armadas. Além de Chicago e Portland (Oregon), o presidente também ordenou o envio da Guarda Nacional para Los Angeles e Washington, D.C., sob o argumento de combater a criminalidade e restaurar a ordem.

Prefeitos e governadores democratas, no entanto, contestam as alegações de violência descontrolada. Em cidades como Chicago e Portland, as autoridades afirmam que os protestos contra as políticas imigratórias de Trump têm sido em grande parte pacíficos, e que os índices de crimes violentos vêm caindo ao longo do ano.

Confrontos e ações judiciais

Apesar disso, os confrontos entre manifestantes e forças federais se intensificaram no último fim de semana, com o uso de gás lacrimogêneo e armamentos de dispersão.

O governador de Illinois, J.B. Pritzker, acusou Trump de fomentar intencionalmente a violência ao enviar tropas e agentes federais sem autorização local.

“Donald Trump está usando nossos membros do serviço militar como adereços políticos e como peões em seu esforço ilegal de militarizar as cidades de nossa nação”, afirmou Pritzker.

Em resposta, o estado de Illinois e a cidade de Chicago ingressaram com uma ação judicial contra o governo federal, buscando bloquear a federalização de 300 soldados da Guarda de Illinois e o envio de 400 militares do Texas para a cidade.

Durante a audiência, o Departamento de Justiça informou que os soldados texanos já estavam em trânsito para Illinois. A juíza April Perry autorizou temporariamente o deslocamento, mas determinou que o governo apresente resposta formal até quarta-feira (8).

Resistência também no Oregon

Paralelamente, um juiz federal do Oregon decidiu suspender temporariamente o envio de tropas da Guarda Nacional para Portland, principal cidade do estado. A decisão reforça a resistência das autoridades locais à intervenção federal e amplia o embate entre governos estaduais democratas e a Casa Branca republicana.

Com a ameaça de invocar uma lei que não é usada há 33 anos, Trump reacende o debate sobre os limites do poder presidencial e a autonomia dos estados, em um dos episódios mais tensos entre Washington e os governos locais nas últimas décadas.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.