Desafio inclui crise interna, polarização e acordo com Trump.
A Coreia do Sul elegeu nesta quarta-feira (4) Lee Jae-myung como novo presidente, seis meses após o impeachment de Yoon Suk-yeol, que caiu após uma tentativa fracassada de impor a lei marcial, gerando protestos massivos.
Com o país profundamente dividido, Lee assume com o desafio de restaurar a democracia e promover a reconciliação nacional, além de enfrentar desafios no exterior, como negociar um acordo comercial com os EUA, liderados por Donald Trump, para reduzir o impacto das tarifas impostas ao país.
O adversário Kim reconheceu a derrota, e Lee declarou que sua prioridade é a "recuperação da democracia sul-coreana".
A vitória representa um retorno surpreendente, após sua derrota apertada na eleição anterior e os escândalos de corrupção e conflitos familiares que enfrentou.
Especialistas veem o resultado mais como um voto de rejeição ao governo anterior do que um apoio total a Lee. "Os eleitores não expressaram necessariamente forte apoio à agenda de Lee", disse Park Sung-min, da consultoria Min Consulting. "Foi uma clara reprovação ao partido do governo."
Além da crise política, Lee enfrenta um processo na Suprema Corte por violação da lei eleitoral, que foi adiado até após a eleição. Pela lei, presidentes não podem ser processados por crimes comuns durante o mandato, exceto por insurreição ou traição.
De origem humilde, Lee construiu sua carreira como advogado de direitos humanos antes de entrar na política pelo Partido Democrata, defendendo inicialmente pautas de esquerda e, mais recentemente, adotando uma postura mais centrista.
O novo presidente terá que buscar apoio até mesmo no Partido do Poder do Povo (PPP), que está fragmentado após o impeachment de Yoon, para restaurar a estabilidade política.
"Anos de polarização deixaram a Coreia do Sul amargamente dividida", analisa Park. "Lee enfrenta o dilema de buscar justiça sem aprofundar as divisões."
Apesar da queda de Yoon, sua base conservadora permanece ativa, formada por homens jovens e eleitores mais velhos, muitos dos quais defendem que a lei marcial foi necessária e acreditam em teorias de fraude eleitoral.
O vácuo político pode ser ocupado por Lee Jun-seok, que tem apelo entre jovens homens por seu discurso antifeminista, embora tenha abandonado sua candidatura na reta final da eleição.
O clima de polarização impulsionou a participação nas urnas para 79,4%, o maior índice desde 1997.
Além da crise interna, Lee precisa lidar com desafios econômicos e diplomáticos, especialmente na relação com os Estados Unidos. "Os desafios domésticos estão cada vez mais interligados à dinâmica global", alerta Park.
Negociar um acordo comercial com Trump está no topo da sua agenda, em meio a uma economia que sofre com baixa demanda e crescimento lento.
Após a vitória, Lee fez um compromisso público com os sul-coreanos: "Farei o máximo para cumprir com a grande responsabilidade e a missão que me foi confiada e não frustrar as expectativas do nosso povo", declarou.
Com informações da BBC.