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Kast vence eleição no Chile e consolida virada política à direita

Candidato derrotou Jeannette Jara no segundo turno e promete agenda dura contra crime e imigração.

15 de Dezembro de 2025
Foto: REUTERS / Rodrigo Garrido

José Antonio Kast venceu a eleição presidencial do Chile neste domingo (14), explorando o medo dos eleitores em relação ao aumento da criminalidade e da migração para conduzir o país à sua mais acentuada guinada à direita desde o fim da ditadura militar em 1990.

Kast obteve 58,30% dos votos no segundo turno contra a candidata de esquerda Jeannette Jara, que ficou com 41,70%, com mais de 95% das urnas apuradas.

"A democracia falou alto e claro", disse Jara ao reconhecer a derrota. "Conversei com José Antonio Kast e lhe desejei sucesso para o bem do Chile."

Ao longo de sua longa carreira política, Kast tem sido um político de extrema-direita consistente. Ele propôs a construção de muros na fronteira, o envio de militares para áreas com altos índices de criminalidade e a deportação de todos os migrantes em situação irregular no país.

A vitória representa o mais recente triunfo da direita ressurgente na América Latina. Kast se junta a Daniel Noboa, do Equador, Nayib Bukele, de El Salvador, e Javier Milei, da Argentina. Em outubro, a eleição do centrista Rodrigo Paz pôs fim a quase duas décadas de governo socialista na Bolívia.

Esta foi a terceira candidatura de Kast à presidência, após a derrota para o presidente de esquerda Gabriel Boric em 2021. Considerado por muitos chilenos como muito extremista, ele conseguiu atrair eleitores cada vez mais preocupados com a criminalidade e a imigração.

Apoiadores chegaram à sede da campanha de Kast em Santiago na noite desse domingo, agitando bandeiras do Chile. Alguns usavam bonés vermelhos com a inscrição "Make Chile Great Again".

Ignacio Segovia, um estudante de engenharia de 23 anos, estava entre os apoiadores.

"Cresci num Chile pacífico, onde você podia sair à rua sem se preocupar, saía sem problemas ou medo", disse ele. "Agora você não pode sair em paz."

Apesar de o Chile continuar sendo um dos países mais seguros da América Latina, a criminalidade violenta aumentou drasticamente nos últimos anos, à medida que grupos do crime organizado se estabeleceram no país, aproveitando-se das fronteiras desérticas e porosas do norte, dos importantes portos marítimos internacionais e do fluxo de imigrantes vulneráveis ao tráfico de pessoas e à exploração sexual.

Dados do governo indicam que a grande maioria dos imigrantes em situação irregular no Chile chegou da Venezuela nos últimos anos.

Entre as propostas de Kast está a criação de uma força policial inspirada no Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), com o objetivo de deter e expulsar rapidamente imigrantes em situação irregular. O presidente eleito também defendeu cortes drásticos nos gastos públicos.

No entanto, as propostas mais radicais devem enfrentar resistência de um Congresso dividido. Embora os partidos de direita tenham conquistado cadeiras em ambas as casas legislativas nas eleições gerais de novembro, a maior parte dos avanços veio de legendas tradicionais. O Senado está dividido igualmente entre partidos de esquerda e de direita, enquanto o voto decisivo na Câmara dos Deputados pertence ao Partido Popular, de orientação populista.

O Chile é o maior produtor mundial de cobre e um importante produtor de lítio, e as expectativas de menor regulamentação e políticas mais favoráveis ao mercado já impulsionaram o peso chileno e o mercado de ações.

Kast já se manifestou abertamente contra o aborto e a pílula do dia seguinte, mas eventuais mudanças na legislação sobre o aborto exigiriam o apoio de mais da metade do Congresso para serem aprovadas.

(Reportagem adicional de Lucinda Elliott e da Reuters TV)

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