Decisão unânime reforça acusações de tráfico de pessoas e exploração de menores na Paraíba
A Câmara Criminal de João Pessoa (PB) negou, por unanimidade, o pedido de habeas corpus do influenciador Hytalo Santos e de seu marido, Israel Nata Vicente, conhecido como Euro. A decisão, tomada na última terça-feira (23), garante que o casal continue preso no presídio do Roger, na capital paraibana, enquanto responde a investigações por tráfico de pessoas e exploração sexual de menores.
O relator do caso, desembargador João Benedito, destacou que “dinheiro não compra tudo como os réus pensam e pensaram sobre a Justiça”, reforçando a gravidade das suspeitas. Os desembargadores Carlos Beltrão, Joás Filho e Márcio Murillo acompanharam integralmente o voto do relator.
Segundo Benedito, uma testemunha relatou ter ouvido o casal afirmar que poderia “comprar tudo com o dinheiro”. Para o magistrado, essa suposta confiança na impunidade aumenta a necessidade da prisão preventiva, evitando interferências nas investigações e garantindo a integridade das provas.
Hytalo Santos e Euro estão presos preventivamente desde 15 de agosto. Eles foram detidos no interior de São Paulo e transferidos para a Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, conhecida como Presídio do Roger. As investigações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba.
Hytalo Santos e Euro estão presos preventivamente desde 15 de agosto (Foto: Divulgação)
O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de vídeos em que adolescentes aparecem em contextos considerados sensuais. As imagens viralizaram nas redes sociais, especialmente depois que o influenciador Felca abordou a questão da “adultização” online, ampliando a pressão por respostas das autoridades.
Além da prisão, a Justiça determinou a suspensão de todos os perfis do casal nas redes sociais. A medida, segundo a decisão, também se baseia em indícios de que Hytalo e Euro planejavam deixar o Brasil para escapar do processo.
O relator salientou que não encontrou elementos que justificassem a liberdade provisória. “Não há motivos para que o influenciador responda em liberdade”, afirmou Benedito. A posição dele foi confirmada pelos demais desembargadores da Câmara Criminal, reforçando a convicção do tribunal.
Com a manutenção da prisão, o casal seguirá à disposição da Justiça para novos interrogatórios e eventuais audiências. As investigações continuam em andamento, e a expectativa é de que novas diligências sejam realizadas para aprofundar as apurações sobre o possível esquema de tráfico de pessoas e exploração sexual infantil.