Coalizão de 12 estados questiona fusão de US$ 110 bilhões por possíveis impactos sobre concorrência, preços e empregos.
A Justiça dos Estados Unidos suspendeu temporariamente, nesta segunda-feira (20), a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount. O negócio, avaliado em US$ 110 bilhões, cerca de R$ 562 bilhões, é questionado por 12 estados americanos, que alegam riscos à concorrência no setor de entretenimento.
A decisão foi tomada por uma juíza federal de Oakland, na Califórnia. Uma audiência está marcada para 3 de agosto e deverá definir se a operação continuará suspensa durante a tramitação do processo judicial, que pode se estender por vários meses.
A ação é liderada pelo estado da Califórnia. Segundo os estados envolvidos, a união das duas empresas criaria um grupo de mídia com força suficiente para aumentar os preços de filmes e programas de televisão, além de enfraquecer concorrentes.
Os autores do processo também afirmam que a conclusão da compra antes de uma decisão definitiva poderia provocar mudanças difíceis de reverter. Entre elas estão possíveis demissões e o compartilhamento de informações estratégicas entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery.
A suspensão pode atrasar os planos da Paramount de ampliar sua participação no mercado de entretenimento. A empresa busca ganhar escala para disputar espaço com grandes plataformas de streaming, como Netflix e Disney.
A Paramount contesta os argumentos apresentados pelos estados. A companhia afirma que a ação interpreta de maneira equivocada as leis antitruste dos Estados Unidos e que o adiamento da operação pode prejudicar trabalhadores de uma indústria que já enfrenta dificuldades.
“Estamos confiantes de que as provas demonstrarão que os argumentos antitruste dos procuradores-gerais estaduais não têm fundamento, pois os mercados que eles alegam existir e suas alegações de efeitos anticoncorrenciais não encontram respaldo na realidade dos mercados atuais”, afirmou um porta-voz da Paramount à agência Reuters.
Fusão enfrenta análise internacional
Anunciada em fevereiro, a aquisição enfrenta obstáculos judiciais e regulatórios em diferentes países. Embora o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tenha aprovado o negócio, outras autoridades avaliam os possíveis impactos da concentração sobre o mercado.
A Comissão Europeia adiou sua decisão enquanto analisa as concessões apresentadas pela Paramount. No Reino Unido, autoridades informaram que podem intervir por preocupações relacionadas à concorrência, ao streaming e ao setor de mídia.
Nos Estados Unidos, procuradores-gerais de estados como Califórnia, Nova York e Oregon tentam impedir a conclusão da compra. Eles apontam riscos de concentração de poder, redução da concorrência nos mercados de cinema e televisão por assinatura e perda de empregos.
A operação também recebe críticas de atores, roteiristas, proprietários de cinemas e outros profissionais do setor. Esses grupos temem cortes de postos de trabalho e a redução da quantidade de filmes produzidos e distribuídos.
Negócio reúne grandes marcas
Caso seja aprovada, a fusão criará um grupo com aproximadamente 200 milhões de assinantes de serviços de streaming. O catálogo reunirá marcas como HBO, CNN, DC Comics, Harry Potter, Game of Thrones, CBS, Paramount Pictures e Nickelodeon.
A proposta da Paramount inclui todo o grupo Warner Bros. Discovery, com canais de televisão, estúdios, plataformas e empresas jornalísticas. A oferta é diferente da apresentada pela Netflix durante a disputa pela Warner, que não abrangia todos esses ativos.
Com a conclusão do negócio, a família Ellison, controladora da Paramount, também passaria a comandar algumas das principais marcas do jornalismo americano. Entre elas estão a CBS News, o programa “60 Minutes” e a CNN.
A audiência de 3 de agosto será o próximo passo do processo. Até lá, a conclusão da compra permanecerá suspensa por determinação judicial.