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Justiça do Peru condena Pedro Castillo a 11 anos e meio de prisão

Ex-presidente foi considerado culpado por rebelião e conspiração após tentar fechar o Congresso em 2022.

28 de Novembro de 2025
Foto: Sebastian Castaneda

A Justiça peruana condenou nesta quinta-feira o ex-presidente de esquerda Pedro Castillo a 11 anos e meio de prisão em um julgamento por rebelião e conspiração, por ele ter tentado, sem sucesso, dissolver o Congresso e assumir amplos poderes no final de 2022. A decisão ocorreu um dia após o também ex-presidente Martín Vizcarra ser enviado à prisão por aceitar subornos quando era governador, ampliando a lista de ex-chefes de Estado detidos no país.

Castillo, que está em prisão preventiva, foi destituído após tentar fechar o Legislativo, ação que desencadeou protestos violentos principalmente em regiões pobres e deixou dezenas de mortos.

Na fase final do julgamento, Castillo, de 56 anos, negou as acusações e afirmou que, ao anunciar o fechamento do Congresso, medida que não recebeu apoio das forças de segurança nem de outros Poderes, ele apenas leu “um documento sem nenhuma consequência”.

A promotoria havia pedido 34 anos de prisão. Professor rural e filho de camponeses, Castillo assumiu a Presidência em julho de 2021 após uma eleição apertada, mas acabou envolvido em denúncias de corrupção envolvendo familiares e aliados próximos.

Castillo foi sucedido por sua vice, Dina Boluarte, que também deixou o cargo no início de outubro deste ano após ser acusada pelo Congresso de “incapacidade moral” para governar. Ela foi substituída por José Jerí, que deverá concluir o mandato até julho de 2026.

O julgamento de Castillo e de parte de seus colaboradores começou em março. Entre os acusados estavam sua ex-primeira-ministra, Betssy Chávez, asilada desde novembro na embaixada mexicana em Lima; o então ministro do Interior, Willy Huerta; e o assessor Aníbal Torres. Chávez e Huerta receberam a mesma pena de 11 anos e meio, enquanto Torres foi condenado a seis anos e oito meses.

“Os réus fizeram um acordo para atacar a ordem constitucional e se organizaram para materializar o conteúdo da mensagem de Castillo”, diz trecho da sentença. O ex-presidente cumprirá pena na mesma prisão que recebeu outros líderes peruanos ao longo das últimas décadas, como Alejandro Toledo, condenado a 20 anos por corrupção; Ollanta Humala, sentenciado a 15 anos por lavagem de dinheiro; e Martín Vizcarra, condenado a 14 anos por suborno. O local também abrigou Alberto Fujimori, libertado em 2023 após um polêmico perdão humanitário e falecido meses depois.

O Peru vive um cenário de instabilidade política frequente, marcado por protestos sociais, sucessivas destituições e renúncias. Desde 2018, o país teve seis presidentes, reflexo da crise de credibilidade que atinge suas instituições e seus líderes.

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