Mãe e irmão da ex-sinhazinha receberam penas de quase 11 anos; outros três réus foram absolvidos por falta de provas.
A Justiça do Amazonas condenou, nesta quarta-feira (22), sete pessoas investigadas por participação em um esquema de tráfico de cetamina em Manaus. Entre os sentenciados estão Cleusimar Cardoso Rodrigues e Ademar Farias Cardoso Neto, mãe e irmão de Djidja Cardoso. As penas variam de 8 anos e 6 meses a 10 anos e 11 meses de prisão.
A nova sentença foi assinada pela juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante, da 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes. A decisão foi proferida dez meses após a anulação de uma condenação anterior relacionada ao mesmo processo.
Segundo a Justiça, o grupo utilizava a rede de salões de beleza Belle Femme e a organização religiosa “Pai, Mãe, Vida” para distribuir e aplicar cetamina. A substância é utilizada como anestésico veterinário, mas também pode provocar efeitos alucinógenos quando consumida de forma irregular.
A condenação anterior havia sido anulada após o Ministério Público reconhecer uma falha na condução do processo e solicitar o retorno do caso à primeira instância. Com a regularização das provas periciais, a Justiça entendeu que havia elementos suficientes para confirmar os crimes e a responsabilidade dos réus.
Cleusimar Cardoso foi condenada a 10 anos e 11 meses de prisão, em regime fechado. Ela foi apontada como principal articuladora e líder da associação criminosa. Ademar Cardoso recebeu a mesma pena e foi descrito na sentença como o “braço executivo” do grupo.
O veterinário José Máximo Silva de Oliveira foi condenado a 10 anos e 4 meses de prisão. Proprietário da clínica MaxVet, ele teria sido responsável pelo fornecimento da cetamina. Hatus Moraes Silveira recebeu pena de 10 anos e 5 meses por atuar como intermediário e facilitar a logística do esquema.
Verônica da Costa Seixas foi condenada a 10 anos de reclusão por auxiliar na compra e ocultação dos materiais. Sávio Soares Pereira recebeu nove anos, em regime semiaberto, por participar das negociações realizadas por meio do WhatsApp. Bruno Roberto da Silva Lima, ex-namorado de Djidja, foi condenado a 8 anos e 6 meses por colaborar com a aquisição da substância e incentivar o consumo.
Cleusimar, Ademar, José Máximo e Hatus tiveram as prisões preventivas mantidas e não poderão recorrer em liberdade. Verônica, Sávio e Bruno poderão responder aos recursos fora da prisão, desde que cumpram medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
De acordo com as investigações da Operação Mandrágora, a cetamina era obtida ilegalmente por meio da clínica veterinária MaxVet e posteriormente distribuída entre integrantes do grupo. A substância também seria utilizada durante rituais da organização “Pai, Mãe, Vida”.
A sentença aponta que funcionários, amigos e pessoas próximas eram convencidos de que a cetamina proporcionaria “cura espiritual” e “elevação”. Testemunhas ouvidas durante as investigações também relataram situações de cárcere privado e abusos sexuais contra pessoas que estariam sob efeito da droga.
A Justiça absolveu Emicley Araújo Freitas, Claudiele Santos da Silva e Marlisson Vasconcelos Dantas. Conforme a decisão, não foram encontradas provas suficientes para condená-los pelos crimes de tráfico de drogas ou associação para o tráfico.
Djidja Cardoso, que atuou durante cinco anos como sinhazinha do Boi Garantido, foi encontrada morta em 28 de maio de 2024. Um laudo preliminar do Instituto Médico Legal indicou edema cerebral, quadro que comprometeu o funcionamento do coração e da respiração.
O documento, porém, não esclareceu o que provocou o edema. A principal linha de investigação policial considera a possibilidade de overdose de cetamina. No dia da morte, policiais encontraram frascos da substância enterrados no quintal da residência, além de seringas, caixas, bulas e cartelas de medicamentos descartadas no imóvel.