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Justiça britânica retomará julgamento sobre tragédia de Mariana em 13 de janeiro

Atingidos pelo rompimento da barragem da Samarco buscam responsabilização da mineradora BHP.

30 de Dezembro de 2024
Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

O julgamento que decidirá pela responsabilização ou não da mineradora angloaustraliana BHP pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, Minas Gerais, em 2015, será retomado em 13 de janeiro, em um tribunal britânico. A Samarco é uma joint-venture entre a brasileira Vale e a BHP no Brasil. 

O processo, que corre na Corte de Tecnologia e Construção de Londres, foi iniciado pelo escritório de advocacia Pogust Goodhead (PG), que representa 620 mil pessoas, 46 municípios e 1.500 empresas atingidas pela tragédia, buscando responsabilizar a BHP no Reino Unido. A Vale não é ré nesta ação. 

As sessões do julgamento começaram em 21 de outubro e foram suspensas no dia 20 de dezembro, devido ao recesso de fim de ano da Justiça britânica. Nos dois primeiros meses, foram analisados documentos e ouvidas diversas testemunhas. 

O PG alega que a Samarco já sabia desde 2013 que a barragem estava operando acima dos limites recomendados e que não havia um plano adequado de evacuação para o distrito de Bento Rodrigues, onde a estrutura estava localizada. Além disso, um ex-engenheiro da BHP teria admitido ter conhecimento de rachaduras na barragem em 2014, sem que medidas suficientes fossem tomadas para evitar o desastre. 

Os advogados das vítimas ainda afirmam que a BHP tinha controle estratégico sobre a Samarco, influenciando decisões operacionais, auditorias e práticas de remuneração. 

Durante o julgamento, especialistas em direito societário foram chamados para esclarecer se acionistas majoritários, como a BHP, podem ser responsabilizados por incidentes em empresas das quais são acionistas, como a Samarco. 

Próximos passos do julgamento 

Entre os dias 13 e 21 de janeiro, serão ouvidos especialistas em direito ambiental brasileiro, seguidos por especialistas em geotecnia entre 22 e 29 de janeiro. Em fevereiro, as partes se prepararão para as alegações finais, que serão apresentadas entre 5 e 13 de março. 

Espera-se que a Justiça britânica decida sobre a responsabilidade da BHP ainda em 2025. Caso a empresa seja considerada responsável, um novo julgamento definirá os valores de indenização, estimados pelo PG em cerca de R$ 230 bilhões. 

Em nota, o escritório PG informou que "as vítimas seguem confiantes na busca por justiça pelo maior desastre ambiental do Brasil". 

Posicionamento da BHP 

Para a BHP, o caso já foi resolvido no Brasil, com um acordo de reparação firmado entre a Samarco, Vale e BHP com as vítimas do rompimento, homologado pelo Supremo Tribunal Federal em novembro de 2024. 

A empresa destacou em sua nota que, em outubro, foi assinado um novo acordo com o governo brasileiro e autoridades públicas, totalizando R$ 170 bilhões para a reparação dos impactos do desastre. A BHP também lembrou a criação da Fundação Renova, em 2016, que, segundo a empresa, já destinou mais de R$ 38 bilhões em auxílios financeiros, indenizações, reparação ambiental e infraestrutura para aproximadamente 430 mil pessoas e comunidades afetadas. 

A BHP refuta os pedidos da ação no Reino Unido, afirmando que continua trabalhando com a Samarco e a Vale para apoiar o processo de reparação no Brasil. 

A Tragédia de Mariana 

O rompimento da barragem de rejeitos da Samarco ocorreu em 5 de novembro de 2015, em Mariana. A tragédia causou a destruição total do distrito de Bento Rodrigues, deixando 19 mortos, três desaparecidos e 600 pessoas desabrigadas. Cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos tóxicos foram liberados, atingindo 49 municípios em Minas Gerais e no Espírito Santo. A lama percorreu 663 quilômetros até atingir o mar no litoral do Espírito Santo.

Com informações da Agencia Brasil. 

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