Saída ocorre no dia de operação policial sobre esquema de camarotes no Morumbis.
O presidente afastado do São Paulo, Júlio Casares, renunciou ao cargo nesta quarta-feira (21). Em nota nas redes sociais, ele afirmou que atuou com “seriedade, firmeza e responsabilidade” e disse que o clube vive um ambiente de instabilidade, com “ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas”.
Casares afirmou que houve articulação nos bastidores e distorções deliberadas, e que boatos passaram a ser tratados como verdades. Ele disse que decidiu deixar o cargo para preservar a saúde, proteger a família e evitar que a “disputa política” prejudique o clube. Também declarou que a renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações.
A saída ocorre após o Conselho Deliberativo aprovar o impeachment do dirigente na sexta-feira (16). Nesta quarta, a Polícia Civil realizou uma operação com mandados de busca e apreensão em um inquérito que apura negociação irregular de camarotes do estádio Morumbis para shows e eventos.
O agora ex-presidente também é citado em uma investigação que apura suspeita de desvio de dinheiro do São Paulo. Entre os alvos estão a empresária Rita Adriana e os ex-diretores Douglas Schwartzmann e Mara Casares, ex-mulher de Casares.
O Ministério Público afirmou que há um esquema amplo e estruturado de venda de camarotes, que veio à tona após reportagem do ge.globo, baseada em áudios de uma ligação envolvendo os investigados. O promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro disse que o caso causou prejuízo direto ao clube: “nós já conseguimos fazer uma primeira avaliação e tomamos pé de coisas que confirmam o que nós já sabíamos: o esquema de arrecadação em prejuízo do São Paulo Futebol Clube abrange um período de tempo muito maior e muito mais pessoas do que inicialmente a gente supunha estarem envolvidas nesse esquema. Em resumo, o estádio do Morumbis foi transformado em uma gigantesca máquina de caça níveis”.
A operação apreendeu cerca de R$ 28 mil em dinheiro, além de documentos e equipamentos eletrônicos. O São Paulo afirmou que é vítima e disse que vai colaborar com as investigações.
A defesa de Douglas Schwartzmann informou que ele procurou a delegacia e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos, além de afirmar que a busca teve a intenção de constrangê-lo. Mara Casares disse que colabora com as apurações e que a lisura dos atos será comprovada. Os advogados de ambos alegam que os áudios foram retirados de contexto. A defesa de Rita Adriana não foi localizada.