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Julgamento de Tupac reúne personagens centrais e reabre crime após três décadas

Duane “Keffe D” Davis é acusado de planejar ataque, enquanto testemunhas e antigos rivais voltam ao centro do caso.

Por: Portal Amz em Pauta
18 de Agosto de 2026
Foto: Reprodução

Quase três décadas após a morte de Tupac Shakur, a Justiça dos Estados Unidos iniciou o julgamento que pretende esclarecer responsabilidades pelo assassinato de um dos nomes mais influentes do rap. Duane Keith Davis, conhecido como “Keffe D”, é o único réu e responde pela acusação de homicídio em primeiro grau com uso de arma letal, sob a alegação de ter promovido, auxiliado ou incentivado uma organização criminosa. A promotoria sustenta que Davis organizou o ataque contra Tupac após uma briga envolvendo seu sobrinho em Las Vegas. Embora não seja acusado de ter efetuado os disparos, ele teria planejado a ação e fornecido a arma. Davis se declarou inocente. Investigadores também relacionam o episódio à rivalidade entre integrantes das gangues Bloods e Crips, versão contestada por algumas pessoas ligadas ao caso.

Tupac Shakur: vítima e símbolo do rap

Tupac tornou-se uma das principais estrelas do rap da Costa Oeste dos Estados Unidos durante uma época marcada pela rivalidade musical com artistas da Costa Leste, especialmente Christopher Wallace, o “The Notorious BIG” ou “Biggie Smalls”. A ligação do rapper com Marion “Suge” Knight e com a Death Row Records, além das letras que abordavam violência, drogas e a vida nas ruas, alimentou especulações sobre uma possível ligação com gangues. Tupac rejeitava essa definição e declarou ao Los Angeles Times, em 1995, que nunca havia sido gângster, explicando que suas músicas retratavam aspectos difíceis da realidade. Nos últimos anos de vida, ele também enfrentou problemas judiciais, incluindo uma condenação por abuso sexual e oito meses de prisão. Quando morreu, estava em liberdade mediante fiança enquanto recorria da sentença.

Duane Davis e as declarações sobre o crime

Durante anos, Davis fez relatos que o colocavam diretamente na cena do assassinato. Ele afirmou publicamente que ocupava o banco dianteiro de um Cadillac branco que parou ao lado do veículo onde estavam Tupac e Suge Knight. Os disparos teriam partido do banco traseiro do Cadillac. Tupac foi atingido quatro vezes e morreu seis dias depois em consequência dos ferimentos. As próprias declarações de Davis passaram a ocupar posição central na investigação e contribuíram para que o caso, que permaneceu sem solução por décadas, voltasse a avançar.

No livro de memórias “Compton Street Legend”, lançado em 2019, Davis também relatou uma conversa com Sean “Diddy” Combs, então um dos principais nomes do rap e da produção musical da Costa Leste. Segundo a versão apresentada no livro, Combs teria pedido ajuda para resolver “alguns problemas” envolvendo Tupac e Suge Knight. Davis escreveu que aceitou a proposta e, em outro trecho, mencionou uma suposta recompensa de US$ 1 milhão. Combs, apontado como possível testemunha no processo, negou anteriormente qualquer participação e classificou as alegações como absurdas durante uma entrevista concedida em 2016. Ele nunca foi formalmente acusado de envolvimento na morte de Tupac.

Apesar de ter feito essas declarações ao longo dos anos, Davis passou recentemente a negar participação no assassinato. Em entrevista ao canal 8 News Now, afirmou que nem sequer estava no estado de Nevada quando o crime aconteceu. Ele também tentou afastar a responsabilidade pelo conteúdo de seu livro, alegando que concordou com a publicação porque queria ganhar dinheiro e que boa parte do material teria sido produzida por escritores fantasmas. “Eu não escrevi aquele livro”, declarou. Yusuf Jah, coautor da obra, está entre as pessoas que poderão ser chamadas para testemunhar no julgamento.

Suge Knight pode ser peça importante no processo

Marion “Suge” Knight é outra figura central porque estava dirigindo o automóvel onde Tupac se encontrava no momento do ataque. Knight também foi atingido, mas sofreu ferimentos considerados leves. Ex-comandante da Death Row Records, gravadora que teve em seu elenco Tupac, Andre “Dr. Dre” Young e Snoop Dogg, ele construiu uma reputação marcada por episódios de violência e ameaças. Knight chegou a cumprir quase cinco anos de prisão por agredir um homem e, posteriormente, foi condenado a 28 anos pelo atropelamento que matou um homem em 2015. Atualmente, permanece preso em uma penitenciária estadual em San Diego. Autoridades afirmam que ele mantinha vínculos próximos com a gangue Mob Piru, informação também citada por Davis e pelo integrante dos Crips Devonta Lee em depoimentos anteriores.

Knight e Davis são apontados como as únicas pessoas ainda vivas diretamente relacionadas aos acontecimentos daquela noite. Apesar de o testemunho do ex-magnata da música ser considerado potencialmente relevante, Knight já declarou não ter interesse em comparecer contra Davis. Em telefonema concedido ao TMZ enquanto estava preso, afirmou que não desejaria a prisão nem mesmo para seu pior inimigo. Ainda assim, seu nome permanece na relação de possíveis testemunhas que poderão ser ouvidas durante o julgamento.

Os outros ocupantes do Cadillac

Orlando Anderson, Terrence “Bubble Up” Brown e Deandre “Big Dre” Smith estavam com Davis no Cadillac e foram citados como co-conspiradores na acusação, embora os três já tenham morrido. Anderson, sobrinho de Davis e conhecido como “Baby Lane”, havia se envolvido horas antes em uma briga com Tupac e Knight após uma luta de Mike Tyson. Testemunhas do grande júri disseram que o confronto teria origem em outro episódio ocorrido anteriormente em um shopping do Condado de Los Angeles. Segundo Devonta Lee, um amigo de Anderson e outros integrantes dos Crips teriam roubado um cordão da Death Row Records que pertencia a Trevon Lane, aumentando a tensão entre os grupos.

De acordo com o relato publicado por Davis, Terrence Brown dirigia o Cadillac quando o grupo saiu à procura de Tupac e Knight. Após passar acidentalmente pelos dois, Brown teria feito um retorno seguindo instruções de Davis. Anderson e Deandre Smith estavam no banco traseiro. Davis escreveu que, no momento em que os tiros começaram, um dos homens que estava atrás pegou uma pistola Glock e abriu fogo. Apesar disso, o relato não aponta de forma definitiva quem teria disparado contra Tupac. Anderson negou envolvimento em entrevista à CNN antes de morrer em 1998, vítima de um tiroteio relacionado a gangues.

Biggie Smalls e a possível conexão investigada

Christopher Wallace, o Notorious BIG, não estava presente no ataque contra Tupac, mas sua história continua ligada às investigações. Biggie foi morto em Los Angeles em março de 1997, aproximadamente seis meses depois da morte de Tupac, também após ser atingido por disparos feitos a partir de outro veículo. Em depoimento ao grande júri em 2023, o detetive aposentado Clifford Mogg, da Polícia Metropolitana de Las Vegas, afirmou que investigadores acreditavam existir alguma ligação entre pessoas associadas aos dois assassinatos.

Mogg declarou que a teoria de que as duas mortes estavam relacionadas estava correta, mas ressaltou que isso não significava que os crimes tivessem sido cometidos pelos mesmos responsáveis. Questionado pelo vice-promotor distrital Marc DiGiacomo, o ex-investigador confirmou essa distinção e acrescentou que Davis não teria participação no assassinato de Biggie. Agora, com testemunhos, antigos relatos, versões contraditórias e personagens históricos do hip-hop novamente examinados pela Justiça, o julgamento deverá tentar definir qual foi efetivamente o papel de Duane Davis na sequência de acontecimentos que terminou com a morte de Tupac Shakur.

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