Embarcação será lançada oficialmente durante a COP30, em Belém.
A Itaipu Binacional apresentou nesta quarta-feira (8) o primeiro barco 100% movido a hidrogênio verde da América Latina. Desenvolvida pelo centro de inovações Itaipu Parquetec, a embarcação é totalmente livre de emissões de gases de efeito estufa e foi testada no reservatório de Itaipu, no Rio Paraná, em Foz do Iguaçu (PR).
O barco será lançado oficialmente em Belém (PA), durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorrerá entre 10 e 21 de novembro de 2025.
Tecnologia limpa e pioneira
Com 9,5 metros de comprimento e 3 metros de largura, a embarcação de alumínio será usada, inicialmente, para coleta seletiva de resíduos sólidos nas ilhas habitadas de Belém. O barco também aproveita energia solar e não emite ruídos nem poluentes, seu único subproduto é água pura.
O projeto ficará sob responsabilidade da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), instituição vinculada à Universidade Federal do Pará (UFPA), que atua no fomento à pesquisa científica e tecnológica na Amazônia.
Energia do futuro
O hidrogênio verde é obtido pela eletrólise da água, processo que separa hidrogênio e oxigênio usando energia elétrica de fontes renováveis. O resultado é um combustível limpo, sem emissão de gás carbônico (CO?).
Segundo Daniel Cantane, gestor do Centro de Tecnologias de Hidrogênio da Itaipu Parquetec, a operação do barco é totalmente sustentável.
“Após o uso como combustível, o produto gerado é água pura, que retorna ao rio”, explicou.
Um posto náutico de abastecimento será instalado em Belém, semelhante ao existente em Foz do Iguaçu, com sistema de produção e armazenamento de hidrogênio verde movido a energia solar.
“Esse posto terá um sistema de recarga para abastecimento das embarcações, garantindo o uso contínuo após a COP30”, destacou Cantane.
Expansão e novos usos
O diretor-geral brasileiro de Itaipu, Enio Verri, afirmou que o projeto abre caminho para novas aplicações do hidrogênio verde em transportes e logística.
“O futuro já vem acontecendo. Podemos desenvolver esse tipo de combustível para frotas de caminhões, ônibus e embarcações de transporte de passageiros, especialmente na Amazônia”, disse.
Verri também ressaltou o potencial uso da tecnologia na Margem Equatorial, região próxima à Linha do Equador onde há expectativa de expansão da exploração de petróleo.
“Serão embarcações como essa que poderão reduzir os impactos ambientais do transporte associado à extração de petróleo, equilibrando a produção energética com sustentabilidade”, avaliou.
Com o lançamento do barco movido a hidrogênio verde, Itaipu reforça sua posição como referência em inovação e energia limpa, mirando a transição energética global que será tema central da COP30.