Delegações tentam acordo enquanto intensificam bombardeios; Ucrânia exige cessar-fogo e libertação de prisioneiros.
As delegações da Rússia e da Ucrânia se reúnem nesta segunda-feira (2), em Istambul, na Turquia, para uma nova rodada de negociações diretas. O encontro ocorre em meio à intensificação dos ataques de ambos os lados, incluindo o maior ataque ucraniano com drones contra aeródromos militares russos desde o início do conflito. As forças russas também realizaram bombardeios em território ucraniano poucas horas antes das conversações.
Vinte e quatro horas depois de ambos os países reivindicarem novos avanços no conflito, as delegações se encontram novamente na cidade turca para a segunda rodada de negociações diretas, embora sem grandes expectativas de paz. Após as últimas conversações entre Kiev e Moscou, as forças russas lançaram quatro dos cinco maiores ataques de drones contra a Ucrânia, resultando na morte de mais de 340 civis. Ainda assim, Moscou manifestou interesse em retomar o diálogo com a delegação ucraniana.
A delegação da Ucrânia chegou a Istambul logo pela manhã para a segunda sessão de conversações, com o objetivo de buscar um acordo que encerre a invasão russa. Por sua vez, a delegação russa desembarcou na cidade turca na noite de domingo.
Fontes oficiais dos Estados Unidos confirmaram que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, conversaram por telefone na manhã desta segunda sobre o encontro diplomático. Na ligação, foi transmitida a posição do presidente norte-americano Donald Trump, no sentido de ser alcançada “uma paz duradoura”.
O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros informou, por meio de comunicado, que, no mesmo telefonema, foi discutida a situação "da crise em torno da Ucrânia", incluindo uma troca de pontos de vista sobre várias iniciativas relativas a uma eventual solução política, que não foram especificadas.
A reunião entre as delegações ocorre um dia após um ataque massivo de drones ucranianos a quatro aeródromos militares russos. Segundo o Serviço de Segurança Ucraniano (SBU), dezenas de aeronaves foram atingidas, incluindo bombardeiros estratégicos, com impactos registrados até na Sibéria, muito distante das linhas de frente.
As autoridades russas, por sua vez, afirmam ter abatido 162 drones ucranianos, principalmente nas regiões de Kursk e Belgorod, que fazem fronteira com a Ucrânia. "Os sistemas de defesa aérea interceptaram e destruíram 162 drones ucranianos", informou o Ministério da Defesa da Rússia em comunicado.
Enquanto isso, os bombardeios e ataques aéreos russos nas últimas horas deixaram cinco mortos nos arredores da cidade ucraniana de Zaporizhzhia, no sudeste do país. Além disso, um ataque de drones na região nordeste de Sumy feriu pelo menos seis pessoas, incluindo duas crianças, na manhã desta segunda-feira.
As prioridades da Ucrânia para este encontro são claras: "um cessar-fogo completo e incondicional" e o "retorno de prisioneiros" e das crianças ucranianas que Kiev acusa Moscou de ter sequestrado.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou no domingo que deseja um encontro direto com o presidente russo, Vladimir Putin, uma possibilidade que o Kremlin tem rejeitado de forma recorrente.
Por outro lado, a Rússia descarta o "cessar-fogo incondicional" exigido pela Ucrânia e pelos países ocidentais. Moscou insiste na necessidade de abordar o que chama de "causas profundas" do conflito. Entre as exigências russas estão a renúncia definitiva da Ucrânia à adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e o reconhecimento da soberania russa sobre as cinco regiões que Moscou afirma ter anexado, condições consideradas inaceitáveis por Kiev, que, em contrapartida, exige a retirada total das tropas russas de seu território.