Hamas afirma que não fechou a porta às negociações, mas exige cessação imediata das hostilidades.
A Faixa de Gaza voltou a ser alvo de ataques aéreos israelenses na última noite, após o violento ataque de terça-feira que causou mais de 400 mortes. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alertou que o ataque foi "apenas o início" e afirmou que as negociações, a partir de agora, "só se realizarão debaixo de fogo". O Hamas declarou que "não fechou a porta às negociações", mas exigiu que Israel "cesse imediatamente" as hostilidades.
Pelo menos 13 pessoas morreram em ataques aéreos em Gaza na última noite, após Israel ter anunciado a retomada das operações de combate no território palestino, quebrando o cessar-fogo que estava em vigor desde 19 de janeiro.
A maioria dos bombardeios israelenses ocorreu no sul de Gaza, perto da zona humanitária de Mawasi, que o Exército havia estabelecido meses antes como "refúgio seguro" para pessoas deslocadas de outras áreas atacadas. Lá, milhares de moradores de Gaza ainda vivem em tendas. A agência de notícias palestina Wafa, citando fontes locais, informou que os ataques israelenses foram realizados com drones e aviões de guerra, atingindo tendas onde mulheres e crianças dormiam.
O Exército israelense fez um novo apelo nesta quarta-feira para que a população de Gaza abandone "zonas de combate perigosas" no norte e sul do território. A evacuação foi solicitada para as regiões de Beit Hanoun, Khirbet Khuza'a, Abasan al-Kabira e Abasan al-Jadida, onde o Exército "iniciou operações contra grupos terroristas". O porta-voz do Exército israelense, Avichay Adraee, apelou aos moradores que "se mudem para abrigos no oeste da Cidade de Gaza e na cidade de Khan Younis". O apelo veio um dia após intensos bombardeios que causaram mais de 400 mortes em Gaza, um dos dias mais mortíferos desde o início da guerra.
Benjamin Netanyahu justificou o ataque violento com a recusa do Hamas em libertar os reféns restantes e por rejeitar as propostas dos Estados Unidos para prolongar a primeira fase do cessar-fogo, em vez de avançar para a segunda fase do acordo, como originalmente acordado. Netanyahu afirmou que o ataque de terça-feira "foi apenas o início" e que, "a partir de agora", as negociações sobre a libertação dos reféns em Gaza "só se realizarão debaixo de fogo".
Por sua parte, o Hamas declarou que "não fechou a porta às negociações", mas reiterou que Israel deve "cessar imediatamente" as hostilidades. "Não temos condições prévias, mas exigimos que [Israel] seja forçado a cessar imediatamente [as hostilidades] e a iniciar a segunda fase de negociações" previstas no acordo de tréguas, afirmou Taher al-Nounou, líder do grupo armado palestino, à AFP.
O Hamas também lembrou que "não há necessidade de novos acordos", já que "existe um assinado por todas as partes". O acordo de tréguas, em vigor desde 19 de janeiro, tem três fases. A primeira fase terminou em 1º de março, mas Israel e o Hamas não conseguiram chegar a um entendimento sobre como prosseguir. Das 251 pessoas sequestradas durante o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, 58 permanecem em Gaza, sendo 34 delas declaradas mortas pelo Exército israelense.
Na segunda fase do acordo, o Hamas libertaria os reféns restantes, e Israel retiraria suas tropas de Gaza. Contudo, em vez de avançar para a segunda fase, Israel e os EUA pressionam por uma extensão da primeira até meados de abril, com mais reféns sendo libertados em troca de mais prisioneiros palestinos. O Hamas não aceitou a proposta e insiste no cumprimento do acordo original.
As duas delegações, mediadas por representantes dos EUA, Catar e Egito, tentam superar as divergências sobre a segunda fase. O Egito, um dos mediadores, classificou os novos ataques como uma "violação flagrante" do cessar-fogo.
Com informações da Agência Brasil e RTP.