Governo diz que retirada permitiria reagrupamento do Hamas e novos ataques.
Israel anunciou nesta quinta-feira (3) que não aceitará retirar-se da Faixa de Gaza mesmo com a proposta de cessar-fogo de 60 dias apresentada pelos Estados Unidos. A decisão ocorre dois dias após o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmar que Tel Aviv havia aceitado a trégua temporária.
“Sair de Gaza e depois permitir que o Hamas se reagrupe, se reconstrua e nos ataque novamente, como eles dizem que querem fazer, não é uma opção”, declarou o porta-voz do governo israelense, David Mencer, durante entrevista coletiva.
Segundo ele, o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 marcou um ponto de virada na política de segurança de Israel. “Não permitiremos que uma organização terrorista jihadista se instale a poucos metros das nossas casas”, acrescentou, em referência ao Hamas.
A proposta de cessar-fogo de 60 dias havia sido discutida nos últimos meses pelo enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, Steve Witkoff, e apoiada por Israel desde o início. No entanto, o Hamas rejeitou o plano em outras ocasiões por não incluir a retirada das tropas israelenses de Gaza ou o fim da ofensiva militar.
O Hamas defende que qualquer acordo de trégua deve prever o fim dos ataques, a retirada de Israel do enclave e o envio de ajuda humanitária à população civil.
A guerra em Gaza teve início em outubro de 2023, após um ataque do Hamas que matou cerca de 1.200 pessoas em Israel e fez 251 reféns. Desde então, a resposta militar israelense deixou mais de 57 mil mortos no território palestino e destruiu grande parte de sua infraestrutura.
Segundo dados do Exército de Israel, 49 reféns continuam em Gaza, sendo que 27 já foram declarados mortos.
O grupo Hamas, que governa a Faixa de Gaza desde 2007, é classificado como organização terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia.