Com o início da trégua, a ajuda humanitária pode alcançar as regiões mais afetadas de Gaza, enquanto ambos os lados negociam um acordo temporário
Após meses de intensas negociações, Israel e Hamas chegaram a um acordo para um cessar-fogo na Faixa de Gaza, que inclui a libertação de reféns e prisioneiros. A trégua foi mediada pelas autoridades do Catar e dos Estados Unidos e deve ser renovada ainda nesta semana, segundas fontes envolvidas nas discussões.
A primeira fase do acordo estabelece um cessar-fogo de 42 dias, durante o qual 33 reféns israelenses, incluindo crianças, mulheres, idosos e civis feridos, serão libertados em troca de centenas de mulheres e menores palestinos detidos em Israel. Essa etapa também prevê o aumento significativo da ajuda humanitária à região devastada.
O conflito, iniciado em 7 de outubro de 2023 com um ataque surpresa do Hamas a Israel, deixou um cenário devastador: mais de 1.200 mortos em Israel e cerca de 46 mil mortos em Gaza, segundo autoridades locais. A guerra resultou em uma das maiores crises humanitárias da história recente.
A segunda fase do acordo, que será negociada durante o cessar-fogo, inclui a libertação de soldados e outros reféns israelenses do sexo masculino em troca de mais prisioneiros palestinos. Essa etapa também prevê negociações para um cessar-fogo permanente e a retirada gradual das tropas israelenses de Gaza.
A última fase do acordo envolve a devolução dos corpos das vítimas do conflito e da permanência de Gaza, que será supervisionada por mediadores internacionais, incluindo o Egito, o Catar e a ONU. No entanto, detalhes técnicos sobre a gestão da fronteira entre Gaza e Egito, conhecida como Corredor Filadélfia, ainda precisam ser ajustados.
Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, foi um dos primeiros a comentar o acordo. Em sua Rede Social, ele afirmou que o avanço nas negociações é resultado direto de sua vitória nas eleições. Já o presidente atual, Joe Biden, planeja discursar sobre o assunto ainda nesta quarta-feira.
Em Israel, familiares de referência foram às ruas de Tel Aviv para comemorar o progresso nas negociações, enquanto em Gaza houve celebrações populares com tiros comemorativos. O acordo trouxe um clima de rompimento em meio à longa sequência de violência.
A implementação do cessar-fogo, no entanto, depende ainda da ratificação formal pelo gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Disputas relacionadas ao controle da fronteira Egito-Gaza continuam sendo um dos principais pontos de discussão entre as partes.
Com o início da trégua, espera-se que a ajuda humanitária alcance as regiões mais afetadas de Gaza, enquanto ambos os lados negociam um acordo temporário. Apesar das dificuldades, o progresso é visto como um passo significativo para encerrar um dos conflitos mais devastadores da região.