Na primeira fase do cessar-fogo, Exército iniciou saída do enclave.
O governo de Israel deu luz verde, durante a madrugada desta quinta-feira (9), à primeira fase do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza. O Exército israelense já iniciou a retirada gradual de suas tropas do enclave palestino, em um movimento que marca o início da suspensão das hostilidades e a expectativa pela libertação de reféns.
Apesar de alguns pontos do acordo permanecerem indefinidos, o grupo Hamas afirmou ter recebido garantias dos Estados Unidos e de mediadores regionais de que a guerra “terminou completamente”. O cessar-fogo entrou em vigor ao meio-dia, horário local, conforme informou o Exército israelense.
“O governo acaba de aprovar o acordo para a libertação de todos os reféns, os vivos e os mortos”, anunciou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, por meio da rede social X. Segundo comunicado das Forças de Defesa de Israel (IDF), desde o início da trégua, as tropas começaram a se reposicionar em novas linhas de segurança, em preparação para a execução integral do pacto.
Autoridades palestinas confirmaram o início do recuo militar. “As forças israelenses se retiraram de várias áreas da Cidade de Gaza”, relatou Mohammad Al-Mughayyir, diretor do Departamento de Ajuda Humanitária e Cooperação Internacional da Defesa Civil de Gaza. Em Khan Younis, no sul do território, os veículos militares israelenses deixaram as zonas centrais e meridionais, deslocando-se para a região leste.
O acordo foi assinado na noite de quarta-feira (8), no Egito, e integra um plano de paz composto por 20 pontos, anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump em 29 de setembro. De acordo com o documento, Israel tem 24 horas para concluir a retirada parcial de suas tropas, mantendo o controle sobre 53% da Faixa de Gaza. O Hamas, por sua vez, deverá libertar todos os reféns em até 72 horas, enquanto Israel se compromete a libertar dois mil prisioneiros palestinos.
Segundo o Exército israelense, das 251 pessoas sequestradas durante o ataque de 7 de outubro de 2023, 47 ainda permanecem em cativeiro, sendo ao menos 25 delas já mortas. Com a entrada em vigor do acordo, também foi autorizada a entrada diária de 400 caminhões com ajuda humanitária em Gaza, aliviando a grave crise humanitária instalada no território.
As negociações para a segunda fase do plano devem começar imediatamente. Essa nova etapa prevê o desarmamento completo do Hamas e a retirada total das tropas israelenses. Trump garantiu que ambos os pontos serão cumpridos, embora ainda sem um cronograma definido. O Hamas, contudo, tem resistido às exigências impostas por Israel.
O acordo estabelece ainda a criação de um “comitê de paz” presidido pelo próprio Donald Trump, que será responsável por supervisionar o governo de transição em Gaza. Duzentos soldados norte-americanos serão enviados a Israel para acompanhar e observar a implementação do plano, mas não atuarão dentro do território palestino.
O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom) também anunciou a formação de uma task-force, denominada Centro de Coordenação Civil-Militar (CMCC), destinada a garantir a segurança e o fluxo contínuo de ajuda humanitária para a população de Gaza.