Governo israelense inicia primeira fase do plano dos EUA após grupo aceitar libertar reféns.
A poucos dias de o ataque do Hamas a Israel completar dois anos, na próxima terça-feira, a guerra na Faixa de Gaza pode estar próxima do fim. O governo de Israel anunciou que está se preparando para a “implementação imediata” da primeira fase do plano de paz elaborado pelos Estados Unidos, após o Hamas aceitar libertar todos os reféns, vivos e mortos.
A medida foi confirmada pelo gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Segundo a agência Reuters, o alto escalão político de Israel instruiu os militares a reduzir a ofensiva na Faixa de Gaza, marcando o primeiro passo concreto rumo à desescalada do conflito.
De acordo com o site Axios, as Forças de Defesa de Israel irão conduzir apenas operações defensivas no território palestino. Além disso, ações de ocupação que estavam sendo realizadas na Cidade de Gaza serão suspensas.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos pediu que Israel interrompesse imediatamente os bombardeios a Gaza para permitir que os reféns fossem libertados com segurança e rapidez. Donald Trump havia dado um ultimato até o fim da tarde de domingo para que o Hamas aceitasse o acordo.
Em comunicado, o grupo terrorista afirmou que aceita entregar os reféns e deixar a administração de Gaza, mas apresentou algumas exigências. O Hamas quer participar das discussões sobre o futuro do território e contribuir com a proposta de forma responsável. No entanto, o acordo anunciado por Trump estabelece que o grupo não terá nenhuma responsabilidade em um futuro governo do conclave.
Para o coordenador do curso de Relações Internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia, Rodrigo Gallo, as condições anunciadas pelo Hamas podem dificultar o avanço do acordo.
Em entrevista à Al Jazeera, um representante do Hamas declarou que o grupo só se desarmará após o fim da ocupação israelense. O plano de Trump, entretanto, prevê que a organização entregue as armas imediatamente e que a retirada de Israel aconteça em fases. O mesmo representante afirmou ainda que não é realista libertar todos os reféns dentro do prazo de 72 horas, como estabelece o documento proposto pelo ex-presidente norte-americano.
Brasileiros detidos em flotilha
Enquanto isso, diplomatas brasileiros acompanharam de perto a situação de 13 brasileiros detidos em Israel, entre eles a deputada federal Luiziane Lins (PT-CE). Representantes da Embaixada do Brasil em Israel estiveram na unidade prisional onde os ativistas foram levados após serem interceptados pela Marinha israelense ao tentar chegar à Faixa de Gaza de barco.
O grupo fazia parte da flotilha global Sumud, que partiu da Espanha e da Turquia no início de setembro, com quase 50 embarcações. O objetivo declarado era levar alimentos e remédios à população palestina.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, pediu a libertação dos ativistas. Já o governo de Israel argumenta que o bloqueio marítimo foi necessário para impedir o contrabando de armas para o Hamas. Segundo o gabinete de Netanyahu, documentos encontrados em Gaza comprovariam ligações entre o grupo terrorista e um dos organizadores da flotilha.
Além dos brasileiros, mais de 400 ativistas estrangeiros estão presos, incluindo a sueca Greta Thunberg. O governo israelense anunciou que todos serão deportados de volta à Europa em dois voos programados para segunda e terça-feira.